Dilma rechaça declarações de Serra sobre a Bolívia

A pré-candidata do PT insistiu hoje que não é atitude de estadista atribuir culpa ao governo boliviano pelo tráfico de cocaína

iG São Paulo |

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, insistiu hoje, em Chapecó, no oeste de Santa Catarina, que não é atitude de estadista atribuir responsabilidade ao governo boliviano pela produção e pelo tráfico de cocaína. "Um estadista não faz isso", afirmou ela, no 2º Encontro Nacional de Habitação da Agricultura Familiar. "Incriminar um governo é diferente de dizer que da Bolívia vem droga." 

AE
Com a senadora Ideli Salvatti, Dilma participa do 2º Encontro Nacional de Habitação da Agricultura Familiar, em Chapecó
O pré-candidato do PSDB, José Serra, afirmou esta semana que o governo boliviano poderia ser "cúmplice" no tráfico de droga e, ontem, ressaltou que estava se referindo à quantidade de entorpecentes que vem do país vizinho e que não via nenhuma atitude da Bolívia para contê-lo. De acordo com Dilma, a Polícia Federal (PF) e o Ministério da Justiça estão colaborando "intensamente" com a Bolívia. 

A petista contou ter conversado ontem com o ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, que a informou sobre uma atuação conjunta que culminou com o fechamento de uma fábrica de cocaína, o que há muito tempo não acontecia na Bolívia. "É preciso que haja conversa entre os ministérios da Justiça", disse. "É prudente não atribuir, sem informações e provas, responsabilidades ao governo boliviano. Não é papel de um estadista fazer isso." 

DEM

A pré-candidata se recusou a comentar a propaganda do DEM que foi ao ar ontem durante horário eleitoral gratuito. "Não vou fazer comentário sobre o programa de televisão porque não é do meu feitio", justificou-se. O DEM dedicou seu programa partidário inteiramente ao pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra. 

Pouco antes de chegar ao pavilhão, onde os agricultores estavam reunidos, Dilma concedeu entrevista à Rádio Super Condá, em que criticou Serra, citando-o como aquele que "provavelmente será meu adversário" por, na condição de ministro do Planejamento do governo Fernando Henrique Cardoso, não ter feito superávit primário. "Nós jamais fizemos déficit em oito anos de governo", disse.

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