Dilma reage a denúncia sobre aliado e culpa banco estrangeiro

Diretor da Eletrobras, Valter Cardeal é citado em revista como suspeito em fraude para a concessão de empréstimo internacional

Clarissa Oliveira, iG São Paulo |

A candidata do PT ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff , reagiu neste domingo ao noticiário envolvendo o diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobras, Valter Cardeal, e atribuiu ao banco estrangeiro KfW a resonsabilidade por qualquer irregularidade na liberação de empréstimos internacionais. Aliado político da presidenciável, Cardeal teria conhecimento de um esquema por meio do qual uma subsidiária da Eletrobras teria concedido irregularmente garantias para a liberação de empréstimos, segundo reportagem da revista Época deste fim de semana.

"Quem está falando isso está beneficiando o banco. O banco é um banco alemão que aceitou um empréstimo com aval ilegal e está querendo, hoje, ganhar com esta questão", afirmou Dilma, em entrevista concedida após uma visita ao Museu da Língua Portuguesa, no centro da capital paulista. A petista retomou o discurso de que é alvo de rumores lançados com o objetivo de prejudicar seu desempenho na corrida presidencial. "O que a central de boatos está fazendo é, em vez de defender o Brasil, defender o banco estrangeiro", disse a petista. 

O KfW, segundo a revista, afirma ter evidências de que Cardeal sabia desde o início da emissão de garantias ilegais e fraudulentas para que duas empresas privadas brasileiras obtivessem um empréstimo internacional no valor de 157 milhões de euros, destinados à construção de usinas de biomassa no Rio Grande do Sul. A Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), subsidiária da Eletrobras cujo conselho de administração é presidido por Cardeal, funcionaria como fiadora do esquema. Esse aval, entretanto, vai contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Cardeal é homem de confiança de Dilma no setor elétrico. Na ação movida pelo KfW, diz a reportagem, há ainda afirmação de que a então ministra tomou conhecimento do negócio durante um seminário em Frankfurt, em 30 de janeiro de 2006. Na ocasião, teriam sido discutidas as garantias do acordo. "Até mesmo alguns políticos conheciam os fatos, como a ministra Dilma Rousseff", diz o texto da ação.

Segundo a revista, a assessoria de Dilma confirmou que ela participou do seminário, mas negou que ela tenha assistido à apresentação sobre o negócio.


    Leia tudo sobre: eleições dilmapleito 2010

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG