Dilma reage a críticas sobre relação do Brasil com o Irã

Em encontro com a comunidade judaica, a candidata do PT à Presidência disse que melhor estatégia com o País não é a guerra

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Agência Estado
Dilma Rousseff chega para entrevista coletiva após encontrar-se com a comunidade judaica brasileira na Federação Israelita do Estado de São Paulo
No encontro com representantes da comunidade judaica em São Paulo, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff , teve de explicar a recente aproximação do Brasil com o governo do Irã cujo presidente Mahmoud Ahmadinejad nega a existência do holocausto.

Cobrada a respeito, Dilma disse que se trata de uma relação institucional, governamental e, não, pessoal. “As questões não são pessoais. A relação com o Irã é em busca da paz. Não é uma relação em que você autorize ou aceite, por exemplo, a negação do holocausto. O Brasil tem relação com vários países e, no caso do Irã, entendemos que a melhor estratégia não é a guerra, não é o julgamento, não é tentar resolver pelo método que foi utilizado no Iraque e no Afeganistão”, afirmou.

Questionada por jornalistas sobre o que o Brasil tem a ganhar com a aproximação, Dilma respondeu: “Um mundo melhor. É uma grande conquista viver num mundo melhor.”

Segundo o presidente da Confederação Israelita no Brasil, Claudio Lutemberg, ex-secretário de saúde do governo de José Serra, a explicação de Dilma foi convincente. “Convenceu. Ela foi muito taxativa ao dizer que busca uma aproximação, mas, que não tem relação de caráter pessoal,” disse Lutemberg.

O presidente da Conib, no entanto, confirmou, que a aproximação de Lula com Ahmadinejad desagradou a comunidade. “Quando se vê uma aproximação não com o país, mas uma aproximação pessoal com o presidente do Irão, isso, realmente, desagrada.” De acordo com ele, a característica o jeito informal do presidente Lula pode às vezes, passar uma falsa impressão de que a relação com o presidente iraniano tem caráter pessoal.

No encontro, Dilma também condenou a condenação à morte por apedrejamento da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, e chegou a dizer que, possivelmente, tem sangue judaico. Segundo Dilma, sua avó tinha sobrenome Coimbra, o que indica que ela pode ser uma judia convertida ao cristianismo durante a inquisição portuguesa. Na época, muitos judeus da Península Ibérica, adotaram nomes de cidades ou de árvores para escapar da inquisição. “Pelas características físicas e por tudo, acho que ela era cristã nova”.

Em rápida entrevista coletiva Dilma se recusou a falar sobre as denúncias contra a sua ex-braço direito e sucessora na casa Civil, Erenice Guerra. “Já disse no debate tudo o que eu queria dizer sobre essa questão. Não tenho nada a acrescentar.”

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