Dilma fala sobre inexperiência nas urnas e diz que não é poste

Candidata do PT diz que falta de experiência eleitoral pode ser positiva, diante do desgaste da classe política

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira que sua falta de experiência eleitoral pode ser uma vantagem devido ao desgaste da classe política. Dilma disse também que vai querer a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, caso seja eleita.

AE
Dilma disse que inexperiência eleitoral pode até ser vista como positiva
“Fazem uma confusão deliberada entre experiência eleitoral e administrativa. Tenho experiência administrativa. Nos últimos anos coordenei todos os programas do governo Lula. Não tenho experiência eleitoral. Mas pense se isso não é uma vantagem em um quadro que tem tanto desgaste dos políticos. Fico triste com isso. Compreendo que alguns queiram dizer que sou um poste mas isso não me transforma em um poste”, disse Dilma na gravação do programa “Roda Viva” da TV Cultura.

Dilma disse também que, se eleita, gostaria de governar com todos os partidos, inclusive os de oposição, desde que eles não tentem desestabilizar o governo. “Se a oposição não for raivosa e não for uma oposição que tente de toda maneira desestabilizar o governo podemos governar com todos os partidos”, afirmou.

A candidata admitiu que vai querer a ajuda do presidente Lula mas rejeitou a hipótese de ficar à sombra do presidente. “Vou querer muito que o presidente me aconselhe até porque tenho essa relação muito forte com ele.Conheço bem o presidente. Ele é uma pessoa muito respeitosa. Vou querer que o presidente me ajude a aprovar reformas importantes e me auxilie com seus conselhos mas tenho clareza que ele participará como ex-presidente”, disse ela.

Dossiê

Na entrevista, Dilma negou, mais uma vez, que sua campanha tenha produzido qualquer tipo de dossiê contra o adversário José Serra (PSDB). “[Luiz] Lanzetta [dono da Lanza Comunicação] era de uma empresa que contratava pessoas, que faziam análise de mídia. Estritamente isso. Não somos responsáveis pelo que faz uma empresa. Não podemos nos responsabilizar. Até porque nós não somos os únicos clientes”.

Ela deu a entender que a história do dossiê foi levada a público pelos próprios adversários da campanha. “Acho que está em curso uma tentativa de atribuir a nós questões que não fazem parte do nosso ambiente político”.

Ainda falando sobre a repercussão do caso, a candidata entrou em bate-boca com Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha de S.Paulo, e pediu que o jornal mostrasse as provas que diz possuir sobre uma suposta quebra de sigilo bancário de um dirigente do PSDB. Ela disse que só não processou o jornal porque é a favor da liberdade de imprensa e que o entendimento da campanha era que o jornal estava protegendo a fonte.

Dilma lembrou também que apenas Serra está sendo processado por ela em razão do epidósio - o tucano disse que ela era responsável pelo dossiê e devia desculpas a ele.

Questionada sobre o projeto do PT sobre controle social da mídia, ela respondeu: “Como qualquer área, se significar diminuição do grau de monopolização...Mas se for liberdade de imprensa, não tem que ter controle. Se for isso, sou contra qualquer controle”.

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