Dilma e Serra trocam acusações na TV

Tucano concentrou ataques no caso Erenice Guerra; petista insistiu em denúncias envolvendo Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto

Ricardo Galhardo e Nara Alves, iG São Paulo |

Os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) voltaram a subir o tom em debate realizado pela TV Record na noite desta segunda-feira. No evento, o terceiro organizado desde o início do segundo turno da corrida presidencial, aproveitaram em seus ataques episódios como as denúncias contra a ex-ministra Erenice Guerra e as suspeitas que pesam sobre o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto.

Logo no primeiro bloco, Serra encarregou-se de trazer à tona o caso Erenice, que perdeu o cargo em meio a denúncias sobre um suposto esquema de lobby orquestrado no governo federal. Enquanto criticava a política de banda larga do governo federal, o tucano engatou: “Quem cuidou disso foi a Erenice, que aliás hoje depôs na Polícia Federal sobre seus malfeitos”, disse o tucano.

Dilma revidou mencionando as denúncias que pesam sobre Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-diretor da Dersa acusado de desviar recursos da campanha de Serra. “Há uma questão com a ex-ministra Erenice, mas o que dizer então de Paulo Preto”, disse Dilma. A petista acrescentou: “E ele está envolvido na operação Castelo de Areia”.

Dilma também empenhou-se em desvincular Serra do programa Bolsa Família, menina dos olhos do governo na área social. "O Bolsa Família não é uma invenção do ex-governador José Serra", afirmou, em uma referência ao fato de o rival atribuir ao governo do tucano Fernando Henrique Cardoso o embrião do programa.

Serra, por sua vez, voltou a vincular a petista ao ex-presidente Fernando Collor e, principalmente, ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, réu no processo do mensalão. "Ela foi testemunha de defesa dele", afirmou Serra. "E ele é chamado de chefe da quadrilha."

Mais adiante, Dilma e Serra bateram de frente também em relação a outros temas. Trocaram acusações sobre privatizações e retomaram inclusive a polêmica sobre o aborto, que havia passado para o segundo plano na última semana. Ao dizer que Dilma diz uma coisa e faz outra, Serra afirmou: "Ela disse 'sou a favor do aborto, sou contra o aborto'. Disse, 'sou a favor de privatizar as telecomunicações, sou contra privatizar as telecomunicações'".

Os dois também trocaram críticas sobre o Movimento dos Sem Terra e sobre o cumprimento de promessas de campanha, além de compararem o desempenho de políticas de investimentos.

Primeiro bloco

Dilma e Serra passaram boa parte do primeiro bloco trocando acusações sobre os casos Erenice Guerra e Paulo Preto. O primeiro a trazer as denúncias à tona foi Serra, que criticava a política de banda larga do governo. “Quem cuidou disso foi a Erenice, que aliás hoje depôs na Polícia Federal sobre seus malfeitos”, disse o tucano. Dilma devolveu mencionando o caso Paulo Preto. “Há uma questão com a ex-ministra Erenice, mas o que dizer então de Paulo Preto”, disse Dilma.

Serra defendeu-se das acusações alegando que Dilma mantém um discurso preconceituoso. Também voltou a se explicar por ter dito que não conhecia o ex-diretor da Dersa. "O apelido que vocês colocaram nele é preconceituoso e racista. Por isso eu disse que não o conhecia".

Serra retomou em outras ocasiões o caso Erenice. "Ela ( Dilma ) teve como braço direito em sua gestão (nas pastas) de MInas e Energia e Casa Civil uma mulher que montou um grande esquema de corrupção e está respondendo por isso. E foi essa mulher que Dilma escolheu para ficar no lugar dela", afirmou Serra.

Segundo bloco

Na volta do intervalo, Serra empenhou-se em levar a discussão para o assunto pré-sal. Questionada, sobre o assunto, Dilma declarou: "Acho estranho que senhor diga sistematicamente que não quer privatizar o pré-sal e hoje mesmo uma pessoa importante do PSDB, o Luiz Paulo Velloso Lucas, disse que está errado nosso modelo de lidar com a Petrobras". "Você está mais uma vez fazendo uma deliberada enrolação", acrescentou.

Serra tentou colar na petista ação privatista, ao falar sobre concessões para a exploração do pré-sal. E voltou a ironizar o fato de a ex-ministra seguir orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha presidencial. "Eu penso com a minha cabeça. Eu não penso 'fulano disse, fulano falou'", afirmou, aproveitando para dizer que Dilma se contradiz. "Ela disse sou a favor do aborto, sou contra o aborto. Disse, sou a favor de privatizar as telecomunicações, sou contra privatizar as telecomunicações".

Terceiro bloco

Serra abriu o bloco colocando em pauta o tema do relacionamento entre o governo federal e o MST. "O MST, na minha opinião, é um movimento político que usa a reforma agrária para fazer uma ação política", disse Serra, lembrando que Dilma posou para fotos vestindo o boné do movimento. Antes de responder, Dilma queixou-se do tom usado por Serra: "Candidato Serra, acho que um debate pode ser bastante assertivo. Mas acredito que possamos manter um certo nível".

"Nós somos a favor da reforma agrária no Brasil e fizemos o maior número de assentamentos de reforma agrária neste País", disse Dilma. "Nós não tratamos nenhum movimento social com cacetete, nem aceitamos episódios como aquele de centenas de mortos que foi Eldorado dos Carajás."

Depois de ouvir do tucano que dizia uma coisa sobre os sem-terra e agora segue outra linha, Dilma viu a chance de relembrar o fato de Serra ter deixado a prefeitura paulistana no meio do mandato, contrariando uma promessa de campanha, para disputar o governo de São Paulo. "Então fica muito complicado você falar qualquer coisa", afirmou Dilma.

*Com colaboração de Rodrigo Rodrigues, Daniela Almeida, Mario Rocha e Carlos Lo Prete

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