Dilma e Serra travam confronto a distância sobre Bolsa Família

Em cidades diferentes no segundo dia de campanha, tucano e petista trocaram ataques sobre o principal programa social do governo

iG São Paulo |

O candidato tucano ao Palácio do Planalto, José Serra, e sua adversária petista, Dilma Rousseff, protagonizaram hoje um confronto a distância sobre o programa Bolsa Família, principal bandeira do governo Lula na área social. Serra aproveitou a agenda de campanha que cumpriu na tarde desta quarta-feira em Jundiaí (SP), no interior paulista, para reiterar a promessa de duplicar o programa. Dilma, que esteve em dois compromissos na capital paulista, viu a chance de criticar a atenção dada a programas de transferência de renda em São Paulo.

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Dilma discursa em São Paulo
Questionado sobre proposta de estender o Bolsa Família, Serra disse que a ideia é perfeitamente viável. “Do ponto de vista de recursos não é nada abusivo, não”, declarou o tucano, que também criticou o fato de Dilma ter protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma versão de seu programa de governo sem ler o documento. “Achei incrível", reagiu Serra.

Dilma deu a primeira resposta ao rival durante um discurso na Praça da Sé. Disse ter lido nos jornais que houve redução dos programas de transferência de renda em São Paulo - o tucano governou o Estado antes de se lançar na disputa presidencial e foi prefeito da capital paulista, posto que deixou nas mãos de seu vice Gilberto Kassab (DEM).

Mais tarde, em visita à favela Heliópolis, Dilma foi mais incisiva. "Em época de eleição, as pessoas, alguns, principalmente nossos adversários dizem que têm um compromisso com o Bolsa Família. Dobrar como, se aqui em São Paulo houve redução dos programas de transferência de renda?", provocou.

A petista, entretanto, não perdeu a chance de pegar carona em um programa do PSDB. Ainda na Praça da Sé, disse que planeja manter o programa do governo federal que reduz para 10% o preço de remédios de uso continuado, uma espécie de intensificação dos genéricos criados na gestão de Serra no Ministério da Saúde. “Eu aposto também em continuar este programa que reduziu remédios essenciais como de hipertensão, pressão alta e o de diabetes a 10% do seu preço”, disse ela.

O Ministério da Saúde informou posteriormente que Dilma fazia referência ao Programa Farmácia Popular, criado em 2004. Logo após a fala da petista, entretanto, um integrante da campanha descreveu o projeto como uma "intensificação dos genéricos".

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Serra em pausa para o café durante caminhada em Jundiaí
O tema educação também apareceu dos dois lados. No ato que teve a presença de Serra, a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) encarregou-se de organizar um protesto, com direito a gritos com a frase “Dilma nele!”. O período que antecedeu a saída de Serra do cargo foi marcado por greves comandadas pela entidade, que reivindicava reposição salarial. O tucano acusa a entidade de agir com base em interesses eleitorais.

Na Praça da Sé, Dilma também abordou o tema. “Não é justo que nesta cidade que cresceu em torno de um colégio se trate os professores sem dar a eles as coisas principais que são reconhecimento e incentivo”, disse Dilma.

Marinheira de primeira viagem em eleições, Dilma também foi diretamente criticada por Serra quando o tucano já comandava o segundo compromisso da agenda, em Campinas, também no interior paulista. O tema, dessa vez, foi o marketing de campanha da candidata.

iG São Paulo
Marina Silva, durante visita à Francal, nesta quarta-feira
"As pessoas são candidatas, não são os comunicadores que são candidatos" - detalhe: comunicador não é gente, né, gente!!??", afirmou, quando já cumpria agenda em Campinas, também no interior paulista. "Eu não saio de manhã e um marketeiro me diz 'hoje você fala mal do MST'. No outro dia 'hoje você defende juros siderais e amanhã defende a redução dos juros'. Ela (Dilma) diz 'nunca mais vou vestir um boné do MST, dali uns dias, vestiu um boné do MST. Isso só se explica por uma orientação externa. O candidato tem que mostrar como ele é, com virtudes e defeitos."

Também em São Paulo, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, minimizou a disputa entre os dois rivais. Ao falar sobre a briga pela paternidade do Bolsa Família, a senadora disse que prefere dar prioridade ao seu programa de governo, com a montagem de propostas para educação, saúde, segurança pública e um modelo de desenvolvimento sustentável.

Marina disse ver uma demonstração de insegurança dos candidatos do PT e PSDB. “O compromisso de combate à pobreza é algo que se tem no DNA, e é um compromisso com a sociedade brasileira." Para a candidata do PV, o Bolsa Família é uma política social que deve ser mantida e aperfeiçoada como um programa social de terceira geração, com a inclusão de outros mecanismos.

*Com reportagem de Nara Alves, Ricardo Galhardo, Matheus Pichonelli e Flávia D'Angelo

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