Dilma e Serra reorganizam estratégia para nova etapa da eleição

Dos dois lados, ordem é levantar os pontos fortes que permitirão ampliar a vantagem sobre o adversário

Clarissa Oliveira, iG São Paulo, e Adriano Ceolin, iG Brasília |

Um dia depois de a corrida presidencial deste ano ser levada ao segundo turno, PT e PSDB correm para reorganizar suas estratégias e traçar os planos para tentar viabilizar uma vitória na nova fase da disputa. Ontem, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda contabilizava os últimos votos, os dois lados já convocavam reuniões das equipes de coordenação, para reformular agendas e definir a linha que será dada às campanhas a partir de agora.

A ordem, tanto na equipe da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) quanto entre aliados do ex-governador José Serra (PSDB), é definir o quanto antes os pontos fortes que podem ajudar a ampliar a vantagem em relação ao adversário. As duas campanhas terão até o próximo dia 31, data da votação do segundo turno, para ganhar fôlego e garantir o resultado nas urnas.

Do lado do PSDB, predomina a preocupação em não repetir erros que custaram as eleições presidenciais de 2002 e 2006. Nos dois casos, o partido conseguiu chegar à segunda etapa, mas perdeu a eleição na reta final. Dentro da legenda, é consenso que o ex-governador de Minas Aécio Neves (PSDB), agora eleito para o Senado, será peça-chave na estratégia.

Assim que começou a se confirmar a ida ao segundo turno, o nome de Aécio, que recusou a vaga de vice na chapa de Serra, voltou a ser citado como possível coordenador da campanha. Houve até quem cogitasse a possibilidade de uma troca de vice , para fortalecer a chapa de Serra.

Secretário geral da Executiva Nacional do PSDB e representante de Aécio na cúpula tucana, o deputado reeleito Rodrigo de Castro (MG) logo investiu na tese de que o mineiro não deve entrar no comando da campanha. O aliado diz preferir vê-lo como uma espécie de cabo eleitoral de luxo de Serra.

AP
Em seu discurso, Serra disse estar com o "coração leve" com resultado da votação deste domingo e ainda parabenizou Marina Silva, candidata à Presidência pelo PV
“Coordenação de campanha é carregar piano. Aguentar reclamação. Não vejo o Aécio num papel desses. Ele tem de pedir voto, fazer um apelo e percorrer o país como um fato novo na campanha do Serra”, afirmou Castro ao iG na noite deste domingo.

Na campanha petista, a ordem é demandar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva um esforço ainda maior para eleger a candidata. Dias antes da eleição, quando começou a crescer a possibilidade de segundo turno, petistas já se queixavam internamente da postura adotada pelo presidente durante a campanha. Avaliavam que Lula exagerou na dose em comícios e discursos, tirando de Dilma o papel de protagonista da campanha.

A presença do presidente, de qualquer forma, continuará marcante nos programas gravados para o horário eleitoral gratuito, sob comando do marqueteiro João Santana. Com o aumento do tempo de televisão de Serra na nova etapa da disputa, o contraponto à ação liderada pelo chefe da comunicação tucana, Luiz González, também deve ganhar importância na nova etapa.

Cabos eleitorais

Agência Estado
Campanha de Dilma deve passar por mudanças no que se refere à agenda e mesmo à participação do presidente Lula
Além de contarem com os dois principais cabos eleitorais, Dilma e Serra terão agora à disposição da campanha aliados que venceram as disputas estaduais neste domingo. O time tucano ganhou a chance de exaltar as vitórias de Antonio Anastasia, eleito em Minas Gerais com 62,7% dos votos, e Geraldo Alckmin, que levou a disputa em São Paulo com 50,6%. A conta inclui ainda o governador eleito do Paraná, Beto Richa, que conseguiu se eleger com 52,4% dos votos.

Petistas, por sua vez, comemoram a vitória na Bahia, com os 63,8% dos votos obtidos pelo governador Jaques Wagner, e no Rio Grande do Sul, onde o ex-ministro da Justiça Tarso Genro voltou ao governo com 54,4% dos votos. De quebra, a sigla terá a ajuda do aliado peemedebista Sérgio Cabral, que venceu a disputa pelo governo do Rio de Janeiro com 66% dos votos.

Cofre

Na segunda etapa das campanhas, tucanos tendem a intensificar a busca por recursos, que acabou prejudicada na primeira fase da eleição. Diante do favoritismo de Dilma nas pesquisas de intenção de voto, aliados de Serra queixavam-se recorrentemente nos bastidores da dificuldade de levantar doações. As promessas, diziam, sempre existiram. Mas em muitos casos não se concretizaram.

Na última prestação de contas, entregue à Justiça Eleitoral no início de setembro, tucanos diziam ter arrecadado R$ 26 milhões. Na mesma época, o cofre de Dilma contava R$ 39,5 milhões.

Nos dois casos, entretanto, a verba foi praticamente toda comprometida na primeira etapa da campanha. Nas mesmas declarações, PSDB e PT alegaram ter gasto, respectivamente, R$ 25,2 milhões e R$ 38,9 milhões.

*Colaboraram Ricardo Galhardo, enviado a Porto Alegre e Brasília, e Patrick Cruz, iG São Paulo

    Leia tudo sobre: eleições dilmaeleições serrapleito 2010

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG