Dilma e Serra participam hoje de mais um debate na TV

Petista deve manter tom 'assertivo' em temas programáticos; Serra tentará desconstruir discurso petista antiprivatização

Andréia Sadi, Clarissa Oliveira, Nara Alves e Ricardo Galhardo |

Os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) devem repetir na noite deste domingo na Rede TV um confronto acirrado, porém não tão tenso quanto o que marcou o debate organizado pela Band logo após a largada no segundo turno da corrida presidencial. O tom mais agressivo estreado por Dilma na semana passada será mantido, mas servirá principalmente para guiar colocações sobre temas programáticos. Serra, por sua vez, se preparou para responder a eventuais críticas sobre temas como privatizações e tentará desconstruir o discurso petista sobre questões como pré-sal.

Na campanha petista, entretanto, a ordem é dosar os ataques. A avaliação é de que o fator surpresa já aconteceu na semana passada. “Não será no mesmo nível, queremos hoje um toque mais equilibrado”, afirmou um dirigente petista. Ainda assim, membros da campanha avaliam que a postura assertiva - na definição dada pela prórpia Dilma - foi positiva, ajudou a estancar a sangria de votos principalmente na classe média e setores religiosos, e ajudou a tirar a candidata da posição defensiva.

Entre tucanos, por outro lado, predomina o discurso de que a agressividade de Dilma mostra "desespero" por parte do PT, o que dizem considerar positivo para Serra. Daí o empenho em preparar a defesa e não deixar os ataques sem resposta.

Os dois candidatos passaram os últimos dias empenhados na preparação do debate. Dilma reuniu-se na noite de sexta-feira com a coordenação da campanha em um hotel na capital paulista, para definir as linhas gerais de sua atuação no evento. Na manhã deste domingo, ela interrompeu os preparativos para uma rápida visita ao Museu da Língua Portuguesa e voltou a dizer que foi apenas "assertiva" no último embate. "Acho interessante, sabe, sempre que uma mulher age e responde no mesmo nível que um homem ela é agressiva. Eu sou capaz de responder de forma bastante assertiva", disse Dilma.

Nesta semana, Serra também comentou os preparativos para o debate. Disse que vai manter o "tom de sempre". Caso a petista intensifique as críticas, o tucano afirmou que vai apenas se "defender das inverdades e falsidades".

Temas

Embora se preparem para manter o tom alto da discussão, os dois presidenciáveis poderão investir em temas que não tiveram tanto destaque no debate da Band. Possivelmente, os dois lados evitarão abrir espaço para temas polêmicos, como aborto e religião.

Entre petistas, por exemplo, o plano é dar mais atenção a questões como a promessa tucana de implantar o salário mínimo para R$ 600. Mas será mantido o foco em assuntos como as denúncias envolvendo o  ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, acusado de sumir com R$ 4 milhões da campanha do PSDB. Dilma deve usar o caso para reforçar a teoria de que o tucano tem "mil caras".

Serra, por sua vez, deve se empenhar em "desmentir" as afirmações que guiam a campanha petista no que se refere às privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Ele tende a manter no roteiro também assuntos como a Petrobras. 

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