Dilma diz que não ¿admite¿ ser colocada sob suspeita

Candidata petista afirma que não pode ser acusada com base em possíveis ilegalidades cometidas por seus auxiliares

Ricardo Galhardo, enviado a Campinas |

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff , disse neste sábado (18) que a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra agiu com idoneidade e competência no período em que as duas trabalharam juntas no ministério. Segundo Dilma, é preciso evitar pré-julgamentos. “A ministra Erenice trabalhou comigo e, enquanto isso, demonstrou muita capacidade, competência e idoneidade. Qualquer ato que a desabone tem de ser provado e não vice-versa”.

Em tom enfático, a candidata disse também que não admite acusações contra sua pessoa com base em possíveis ilegalidades cometidas por seus auxiliares. “Não vou admitir que por conta do processo eleitoral joguem suspeitas sobre a minha conduta e os meus atos públicos. Tenho um histórico de vida pública. Jamais permiti, jamais abriguei práticas ilegais nas minhas proximidades. Tenho 25 anos de vida pública e não tenho uma conta rejeitada”.

Agência Estado
Dilma falou sobre caso Erenice após encontro com o ator Benicio Del Toro, em Campinas (SP)
Dilma disse que foi consultada por Erenice antes de a ex-ministra pedir demissão no cargo devido a denúncias de cobrança de propina por parte de seu filho, Israel Guerra. “Eu não conversei pessoalmente com ela e, no dia, ela me avisou da demissão. Eu falei que ficava a cargo dela”.

A candidata petista confirmou que amigos de Israel Guerra trabalhavam na Casa Civil. Reportagem da Folha de S. Paulo deste sábado diz que o filho da ex-ministra seria responsável por indicações políticas dentro da pasta. “Não tinha nenhum filho da Erenice na Casa Civil. O que tinha eram amigos (dele). Se esses amigos cometeram delitos, eu lamento a indicação deles profundamente”.

No entanto, Dilma evitou comentar o teor das acusações contra Erenice. “Não faço pré-julgamento. Se fizesse, vocês sabem que pediram até a impugnação da minha campanha por conta da questão da Receita”, disse ela, lembrando as acusações envolvendo a quebra de sigilo fiscal na Receita Federal.

Dilma também aproveitou para desqualificar o consultor Rubnei Quícoli, que acusa Israel Guerra de cobrar propina para o caixa de campanha da candidata em troca de facilitação de empréstimos do BNDES. “Eu acho estarrecedor que se dê credibilidade a uma pessoa com aquele currículo”.

A petista também negou ter tido conhecimento de e-mails enviados por Quícoli à Casa Civil ameaçando denunciar à imprensa o esquema de Israel, caso não conseguisse o financiamento do BNDES. “Não cheguei a ver este e-mail”.

No interior paulista

Dilma tomou café da manhã hoje em um hotel de Campinas, interior de São Paulo, com o ator porto-riquenho Benicio Del Toro, que interpretou o ex-guerrilheiro Ernesto Che Guevara no cinema. Segundo ela, os dois tiveram uma “conversa amena” sobre cinema e a importância da América Latina e caribenha no cenário mundial. A candidata, no entanto, não deixou de elogiar os atributos artísticos e físicos do ator. “Ele é um ator excelente, excepcional e, sem sombra de dúvida, muito bonito”.

Dilma e Del Toro devem voltar a se encontrar ainda hoje, no comício da candidata no Largo do Rosário, centro de Campinas, no qual também deve participar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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