Dilma diz que mínimo deve ficar acima de R$ 600

Confira os principais tópicos da entrevista concedida hoje pela presidenta eleita Dilma Rousseff, ao lado do presidente Lula

Ricardo Galhardo, enviado, e Andréia Sadi, iG Brasília |

A presidenta eleita Dilma Rousseff concedeu a sua primeira entrevista coletiva nesta quarta-feira ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva , no Palácio do Planalto. Dilma falou sobre novos impostos, relação do Brasil com Irã, Movimento dos Sem-Terra, reajuste do salário mínimo e composição do novo governo. Ao comentar especificamente a questão do mínimo, a presidenta eleita afirmou que haverá reajuste até o ano que vem.

“Se não houver nenhuma alteração, em 2011, ele estaria acima de R$ 600”, previu. A elevação do mínimo para R$ 600 era promessa de campanha do tucano José Serra, derrotado por Dilma nas urnas no último domingo. 

Dilma também negou que já tenha definido nomes para os ministérios. ”Eu não considero que ainda está maduro o processo de discussão a respeitos dos nomes que integrarão os ministérios e o primeiro escalão da alta administração do País”, afirmou.

Ela já nomeou os coordenadores da transição do seu governo, que devem começar a trabalhar na semana que vem. Foram confirmados na equipe, por exemplo, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra (PT-SE), os deputados Antonio Palocci (PT-SP) e José Eduardo Cardozo (PT-SP), além do vice Michel Temer (PMDB-SP).

Agência Estado
Dilma ao lado de Lula, antes da primeira entrevista depois de eleita
Confira os principais trechos da entrevista de Dilma:

Transição

“Eu não considero que ainda está maduro o processo de discussão a respeitos dos nomes que integrarão os ministérios e o primeiro escalão da alta administração do País. Vou exigir competência técnica, histórico de pessoas sem problemas, e, obviamente, o critério político”

Pré-sal

"A questão está na pauta agora. Aguardemos o que vai acontecer. Não posso incorrer numa grave responsabilidade de atravessar este momento que existe. Tem um governo em exercício pleno e Congresso também. A partir do momento que encerrar as atividades do governo e Congresso, o que restar será avaliado na sequência."

CPMF e governadores da oposição

“Não pretendo enviar ao Congresso a recomposição da CPMF. Mas não posso dizer, este País será objeto de processo de negociação com governadores. Terei diálogo com aliados. Fiquei contente porque recebi uma ligação muito correta de Geraldo Alckmin, eleito governador de São Paulo. Pretendo ter com ele e com governadores da oposição uma negociação de alto nível."

Salário mínimo

null“Nós temos um critério bom que é o fato de darmos o salário mínimo, o reajuste, baseado na inflação corrente e no PIB de dois anos anteriores. Temos um problema agora, que é o fato de que o PIB de 2009 se aproxima de zero. Por quê? Houve uma crise internacional. O Brasil teve recuperação forte. Estamos avaliando se é possível fazer esta compensação. Mas adianto que num cenário de PIB crescendo às taxas que esperamos, teremos um salário mínimo, no horizonte de 2014, acima de R$ 700 e poucos reais. Se não houver nenhuma alteração, em 2011, ele estaria acima de R$ 600 no final de 2011, começo de 2012. Vamos fazer este ajuste”

Cargos para o PMDB

“Este é um governo que vai se pautar não por uma partilha, mas pelo processo de construção de equipe única. Tenho visto uma iniciativa positiva do PMDB em direção a essa concepção. Vocês me desculpem, mas nunca o PMDB me propôs ou pediu cargo”

Reforma agrária e MST

“Eu sempre me neguei a tratar o MST como caso de polícia. MST não é caso de polícia. Não darei margem a uma nova Eldorado dos Carajás porque também é uma questão de Direitos Humanos. Agora, não compactuo com ilegalidades, nem com invasão de prédios públicos nem com invasão de propriedades que estão sendo produtivamente administradas. Temos terras suficientes neste País para continuar com a reforma agrária”.

Irã e Sakineh Mohammadi Ashtiani

“Acho uma coisa muito bárbara e, mesmo considerando os costumes de outros países, continua sendo bárbaro. Sou radicalmente contra o apedrejamento”

Sombras no governo

“Não acho que elas sejam compatíveis. Vivemos em um regime presidencialista e os ministros precisam ser competentes, não sombras”.

    Leia tudo sobre: pleito 2010eleições dilmalulapmdb

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG