Dilma diz que é 'patético' Serra citar Lula em jingle de campanha

Em congresso de jornais, petista diz preferir "vozes críticas ao silêncio dos calabouços da ditadura" do país

Raphel Gomide e Samia Mazzucco, iG Rio de Janeiro |

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ironizou o adversário tucano por citar o nome do presidente Lula em seu jingle de campanha . Um dos versos da música diz "quando o Lula da Silva sair é o Zé que eu quero lá". "Acho estranho que o candidato tente, de forma muitas vezes patética, ligar seu nome ao do presidente Lula. Fez oposição ao presidente Lula todo o tempo", disse Dilma.

Nesta quinta-feira (19), horas antes de Dilma participar do 8º Congresso Brasileiro de Jornais, da ANJ (Associação Nacional de Jornais), Serra acusou o governo Lula de cercear a imprensa. Ao chegar ao mesmo evento, Dilma retrucou: "Tem dia que faz crítica e dia que quer ligar o nome ao presidente Lula. O candidato Serra é assim, o que a gente pode fazer?".

Ao dizer que não iria mais falar do adversário, para não "baixar o nível" da campanha, Dilma sugeriu que Serra tem humor instável. "Não tenho palavras para falar sobre as oscilações do candidato", afirmou.

Em alguns momentos, logo em seguida, a petista pareceu se justificar e responder às críticas de Serra . "Fiz um esforço para estar aqui, para esclarecer confusões que se veem por aí, para deixar claro meu compromisso com a liberdade de opinião e o livre acesso à informação."

Em seu discurso no congresso, Dilma defendeu a liberdade de expressão e o acesso à informação, "valores fundamentais que fazem parte da base democrática do país". "Não há, de maneira alguma, uma democracia onde algum traço de arbítrio impeça que eles se manifestem", disse Dilma.

A candidata lembrou ter vivido na ditadura e disse não concordar com crimes de opinião. "Uma pessoa da minha geração tem não uma visão teórica, abstrata, da democracia, mas sabe das consequências para quem vive em regime de arbítrio. A imprensa foi vigiada, tutelada e muitas vezes perseguida e amordaçada."

Referindo-se à imprensa, a petista afirmou que um governante precisa ser capaz de "aguentar" as discordâncias. "Prefiro um milhão o som de vozes críticas, duras, ao silêncio dos calabouços da ditadura deste país."

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