Dilma diz que é contra "bondade com chapéu alheio"

Petista usou praticamente toda a sua fala durante evento em Brasília para afagar prefeitos

Andréia Sadi e Priscilla Borges, iG Brasília |

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, usou quase integralmente o tempo de uma hora a que tinha direito, durante encontro com prefeitos em Brasília, para afagar os presentes. A petista disse que o governo Lula estabeleceu uma relação de parceria estratégica com os prefeitos. Assim como o rival tucano José Serra, que discursou antes, ela garantiu que o seu governo será apartidário. “Nós podemos dizer que faremos um governo municipalista. Fizemos um governo baseado no diálogo e na relação republicana, na qual não olhamos filiação partidária”, disse.

Logo no início de sua fala, Dilma cutucou os tucanos. Ela disse ser contra fazer bondade com o chapéu alheio e a favor do diálogo para discutir a distribuição “dos ônus e bônus” do Brasil. “Acho que com diálogo isso se faz. Não se faz nem com a polícia nem com cães contra os prefeitos”, atacou. Ontem, durante a abertura da marcha, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, já havia criticado a forma como chefes de Executivos municipais foram tratados durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. 

Os programas que são bandeiras de sua pré-campanha, como o Bolsa-Família, Minhas Casa Minha Vida e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), foram recorrentes na fala da candidata. A nova fase do PAC foca em grandes cidades, com o objetivo de atrair os votos das regiões metropolitanas do Sul e do Sudeste, onde a oposição está na frente na disputa com a petista. Os feitos de seu maior cabo eleitoral, o presidente Lula, também foram usados por Dilma para justificar a continuidade de projetos em um eventual governo com a petista.

Dilma comprometeu-se com a criação de creches para o próximo mandato. A petista disse que seu projeto nessa área pode “salvar uma geração” e assegurou que não fará nenhuma economia com a questão, caso seja eleita. “São seis mil creches que estamos prevendo no PAC 2. Serão 1,500 por ano”, anunciou.

A candidata petista falou sobre a polêmica dos royalties do petróleo. “Não estou desfazendo dos royalties. Acho importante que os prefeitos recebam. Mas jamais descuidem de olhar para a receita da partilha”, pediu. E acrescentou: “Acho que vocês deveriam brigar também pelos royalties da mineração”.

O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CMN), Paulo Ziulkoski, passou por uma saia justa no encerramento do evento. Após discurso de Dilma, os prefeitos na platéia saudaram-na com gritos de “Brasil para frente, Dilma presidente”. Ziulkoski pediu para que parassem com as manifestações, conforme havia sido combinado no começo do evento com os demais candidatos.

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