Dilma diz não querer País apropriado por nenhuma crença ou religião

Em evento organizado por artistas e intelectuais no Rio, candidata do PT diz que `campanha do ódio será vencida pela esperança¿

Flávia Salme e Manuela Andreoni, iG Rio de Janeiro |

Diante de uma plateia que lotou o teatro Oi Casagrande (926 lugares), no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, afirmou, a exemplo do mote que embalou a campanha do presidente Lula em 2002, que “a esperança vai voltar a vencer o medo”. Segundo a petista, “a campanha de ódio que se desencadeou também será vencida pela esperança e pelo amor, e não só pela verdade”.

AFP
Dilma com Oscar Niemeyer e Beth Carvalho, em evento que reúne intelectuais no Rio
Embalada por aplausos de artistas como Chico Buarque, Beth Carvalho, Elba Ramalho e Alceu Valença, Dilma ainda afirmou: “Sinto que agora é a minha vez (de governar o País). E eu vou honrar minha missão, que é a de fazer o óbvio. E o óbvio é só cuidar do povo”, afirmou.

A candidata do PT falou por cerca de 50 minutos. Seu discurso centrou na defesa de programas do governo Lula como o Bolsa Família. “É a maior vitória do ‘nunca antes nesse País'”, disse ela em referência ao bordão mais conhecido do presidente Lula. A parte social foi a mais abordada por Dilma, que também falou de meio ambiente a fez críticas à oposição.

Ainda sobre a área social, a petista disse que, se for eleita, o critério de desenvolvimento do País em seu governo não será o do crescimento do PIB, mas o de combate à miséria. “O critério para o Brasil ser desenvolvido não é o PIB crescer. É tirar 21 milhões de brasileiros da miséria”, declarou.

Religião

Sem fazer menções diretas à discussão sobre o aborto que tomou conta da campanha no segundo turno, Dilma declarou que entre os valores que ela representa está o da “capacidade de conviver com as diferenças religiosas, de culto, étnicas e de gênero”.

Ela acrescentou: “Nós não somos um País que destila ódio religioso. Tentar destilar ódio religioso, intolerância política ou qualquer outro preconceito não é característica de um país como o nosso, porque não queremos esse País apropriado por nenhuma crença ou religião ou divisão étnica”, falou.

Privatização

Sobre a campanha adversária, Dilma voltou a acusar o PSDB, partido do rival José Serra, de não deixar claro o que pensa sobre privatização. “No governo anterior, como o petróleo não era de melhor qualidade e custava caro extrair, eles (PSDB) davam de mão beijada para as empresas privadas internacionais. No pré-sal, não. Quem extrai é a Petrobras e o que sair é da União, que fará o sistema de partilha. O petróleo que a Petrobras descobriu é de qualidade, porque nós investimos nela e em seus funcionários. E a bancada do PSDB é contra o modelo de partilha”, afirmou.

“E é essa questão que tem ficar clara nessa eleição, o que eles farão com o pré-sal? Quem quis mudar o nome para Petrobrax, tirando o que de mais brasileiro tinha no nome, que é o 'bras', pode querer continuar mudando mais”, disse Dilma.

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