Dilma defende imposto menor sobre remédio e reforma

A pré-candidata do PT à Presidência defendeu hoje a redução dos impostos que incidem sobre medicamentos e uma reforma tributária

Agência Estado |

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu hoje a redução dos impostos que incidem sobre medicamentos e uma reforma tributária. Para a petista, além de encaminhar a proposta de reforma, o governo precisa tomar decisões "imediatas" para diminuir impostos. "O Brasil chegou no momento que, para dar os passos seguintes, vamos ter de desonerar, tirar impostos", disse ela, em entrevista à Rádio Record.

"Nos remédios é um absurdo a tributação. A próxima ação imediata é remédio, porque é uma questão de sobrevivência da população", afirmou. Ainda na área da saúde, a presidenciável disse ter como meta dar um "salto" com a construção de unidades de pronto-atendimento 24 horas e de policlínicas.

Segundo Dilma, para fazer a reforma tributária, ela criaria um fundo de compensação temporário para Estados e municípios. "O efeito (da reforma) às vezes vem um ano e meio depois. Os governos querem efeito imediato." Ela deu como exemplo o desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) concedido pelo governo federal a alguns setores. "A gente teve que compensar os governos, mas no final a gente saiu lucrando. Todo mundo ganha com a redução de impostos."

Dilma falou por uma hora ao apresentador Paulo Barboza e respondeu a perguntas de cinco ouvintes. Ela aproveitou a audiência formada por 86% de mulheres para cortejar as eleitoras. "Mulher hoje é chefe de família, empreendedora. A gente, mulher, é uma pessoa especial. Quando a gente quer uma coisa, a gente teima. A gente tem que continuar teimando."

Minha Casa

Uma ouvinte questionou Dilma sobre o que a presidenciável faria, se eleita, para melhorar as condições de financiamento para a compra de imóveis. "Sabendo de todas essas dificuldades de quem tem vontade de ter uma casa, fizemos o Minha Casa, Minha Vida. Eu vou te dar mais ou menos a condição do programa", respondeu, discorrendo sobre os benefícios para cada faixa de renda.

Dilma deu como atingida a meta de construção de 1 milhão de casas estabelecida pelo governo federal ao lançar o Minha Casa, Minha Vida. "Fizemos só 1 milhão de casas nessa primeira fase. Entre 2011 e 2014 dá pra fazer, no mínimo, mais 2 milhões."

A petista prometeu ainda investimento federal de R$ 10 bilhões em projetos de drenagem, para combater enchentes. "Não houve investimento durante o governo Lula porque não deu. O governo federal não tinha obrigação de investir em drenagem, por isso não investiu, mas agora achamos importante para acabar com isso de que a cada chuva as casas alagam, as pessoas perdem tudo", disse.

Questionada pelo apresentador se identificava algo que não deu certo na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma afirmou que o governo promoveu ajustes no que não ia bem e deu como exemplo o Fome Zero. "Nós acabamos com a fome, mas o programa Fome Zero, que estava restrito, virou Bolsa Família."

Saia-justa

A ouvinte Maria Aparecida, da zona norte de São Paulo, deixou Dilma em uma saia-justa ao perguntar se a petista estaria disposta a mudar a lei para punir com mais rigor crimes como os cometidos por pedófilos.

Dilma discursou sobre a "agressão inominável" da pedofilia e disse compartilhar da "revolta" da ouvinte. "Concordo com você. Tem crimes que podem ser passíveis de prisão perpétua, mas se você penalizar todas as gradações de crime igual, não foca no mal maior."

A ouvinte não se mostrou satisfeita com a resposta. "Mas a senhora mudaria a lei? De repente castrar todos os pedófilos...", sugeriu Maria Aparecida. "Melhor a punição penal do que a física", disse Dilma. "A impunidade tem de ser mudada. Não é possível ter esforço enorme para prender e grande flexibilidade para soltar, dentro da lei. O problema às vezes é a aplicação da lei."

Após o intervalo comercial, orientada por assessores, Dilma interrompeu o apresentador para um "esclarecimento" sobre a pergunta do bloco anterior. "Por qualquer quantidade de anos que a pessoa for condenada, o que importa é que, nos crimes graves inafiançáveis, a pessoa cumpra a pena integralmente, que seja uma coisa mais estrita."

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