Dilma afirma que único controle da mídia é "o controle remoto"

Durante gravação de programa de TV, a petista negou intenção de incluir o controle do meios de comunicação entre suas propostas

Adriano Ceolin, iG Brasília |

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, teve de dar explicações nesta quarta-feira sobre as mudanças no programa de governo apresentado à Justiça Eleitoral no registro de sua candidatura. Durante entrevista ao programa 3 a 1 da TV Brasil, ela afirmou que é contra o controle do meios de comunicação.

“Sou rigorosamente contrária ao controle do conteúdo. Aí o único controle que existe é o controle remoto”, disse Dilma. No primeiro programa de governo apresentado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o texto defendia o controle social dos veículos de comunicação. Após críticas ao programa, o PT apresentou um segundo texto retirando a proposta.

Ainda na resposta sobre o controle da mídia, Dilma insinuou que há políticos que pedem a demissão de jornalistas quando não aceitam críticas. “Eu acho inadmissível telefonar para editor de jornal e pedir demissão de jornalista”, afirmou. “É inadmissível censura à imprensa. Sou rigorosamente contrária à censura”, completou.

O programa é apresentado pelo jornalista Luiz Carlos Azedo. A entrevista de Dilma contou com a participação dos jornalistas Valdo Cruz, da Folha de S.Paulo, e Tereza Cruvinel, da TV Brasil. José Serra (PSDB) será o entrevistado nesta quinta-feira. Marina Silva (PV) ficou para a sexta-feira e será a única a fazer a participação ao vivo.

Além de falar sobre o controle da mídia, Dilma também teve de abordar dois temas polêmicas do primeiro programa de governo apresentado ao TSE: a tributação de grandes fortunas e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanas.

A candidata foi induzida ao erro ao falar sobre o golpe em Honduras, no qual o governo brasileiro apoiou o presidente deposto Manuel Zelaya. O apresentou citou El Salvador em vez de Honduras e Dilma acabou repetindo. Em seguida, ambos se corrigiram.

A petista também falou suas posições sobre aborto, união civil entre pessoas do mesmo sexo e descriminalização da maconha. Confira os principais pontos da entrevista de Dilma.

Por que é candidata
Para seguir mudando. Esta é a frase que está em toda a minha propaganda eleitoral. Acreditamos que o governo do presidente Lula abriu uma nova era de prosperidade no Brasil. Criamos 14 milhões de empregos. Seguir mudando significa aprofundar as mudanças. Elevar a população mais pobre cada vez mais para o nível da classe média.

Controle da mídia
Aí o único controle que existe é o controle remoto. Sou rigorisamente contrária ao controle do conteúdo. É inadmissível censura à imprensa. Sou rigorosamente contrária à censura. Eu acho inadmissível telefonar para editor de jornal e pedir demissão de jornalista.

Tributação de grandes fortunas
Não pode é tributar os assalariados. Não há indicador que a tributação das grandes fortunas resulte em benefícios. Hoje temos sobreposição de impostos. Nós tentamos mudar por duas vezes mandar a reforma tributária para o Congresso. Não pode reduzir num passe de mágica a arrecadação.

Jornada de 40 horas
Há setores que podem ter jornada de 40 horas. É uma questão de negociar entre patrões e empregados. Há setores, principalmente médios e pequenos, que não têm a mesma condição. A sociedade como um todo tem de amadurecer e caminhar para isso.

Loteamento de cargos no governo
Não se governa sozinho neste país. O fato de ser indicado por partido ou por outro não significa loteamento. Isso acontece nos EUA, na Espanha, na França. É uma visão errada que não se governe em princípio políticos.

Lula foi refém do Congresso
Não concordo que o governo do presidente Lula foi refém do Congresso, de uma maioria ou de qualquer partido. Buscou construir em cada casa a sua maioria. Em alguns momentos, nós perdemos. Em outros tivemos a ajuda da oposição.

Aborto
Eu vejo o aborto como uma questão de saúde pública. A questão religiosa é uma questão que não opino. Acredito que nenhuma mulher quer fazer aborto. .

Descriminalização da maconha
Eu acho que não podemos entrar em processo de descriminalização de droga nenhuma. Uma droga não está isolada da outra. O consumo de crack se une ao consumo de outras drogas. O Brasil não tem condições de ter descriminalização.

Casamento gay
Sou a favor da união civil. Sou a favor dos direitos civis. Acho que está havendo no Brasil uma marcha neste sentido.

Política externa
Não se usa qualitativos em relação a outros governos. Como não estamos nesta época em relação a política externa é importante que tenhamos extremo cuidado. ATem de construir um ambiente de paz e não de atrito. Sou contra qualquer preso político por crime de opinião. Sou contra preso político em qualquer circunstância.

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