Dilma acha normal confronto com Serra e diz não ter sido atacada

Para a candidata petista, confronto acontece porque ela e o tucano representam projetos e governos "bem diferentes"

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Um dia após estrear em debate eleitoral na televisão, a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) afirmou, nesta sexta-feira, que não se sentiu atacada durante o encontro com os presidenciáveis. A petista disse considerar normal o confronto de ideias entre ela e o tucano José Serra porque eles representam projetos e governos “bem diferentes”.

As declarações foram feitas durante visita à sede da Fundação Abrinq, em São Paulo, onde a candidata assinou um termo de compromisso com projetos em defesa de crianças e adolescentes. Ela estava acompanhada da primeira-dama Marisa Letícia, do presidente do PT, José Eduardo Dutra e de Aloizio Mercadante, candidato petista ao governo de São Paulo.

“Não me senti atacada, não. Senti uma situação de diferença de posição. Eu não tenho a mesma posição do candidato Serra. O candidato Serra representa o projeto que governou o Brasil no período do Fernando Henrique Cardoso. Eu represento o projeto que governou o Brasil, e ainda está governando até o final deste ano, desde 2003. Quando ele faz pergunta para mim ou eu faço pergunta pra ele, isso está posto como meu patrimônio, minha herança. O governo Fernando Henrique é a herança e o patrimônio dele. E é natural que tenha essa diferença entre nós”.

A candidata se disse “honrada” por ter uma “folha de serviços” como coordenadora do governo Lula, numa tentativa indireta de mostrar que o adversário não tem coragem de defender o governo anterior.
“Ele ( Serra ) foi ministro por duas vezes, inclusive poderoso ministro da área econômica. Eu não vejo o que tem de retrovisor o fato de a gente discutir os diferentes projetos que a gente tem para o País”.

E prosseguiu: “Quem não conhece a sua história não tem condições de conhecer nem seu presente nem seu futuro. Não queremos ficar no passado, mas discutir quem tem mais competência para construir o futuro. Quando foi minha vez de governar, nós fizemos mais.”

A ex-ministra da Casa Civil ironizou a oposição ao comentar as promessas do adversário tucano de expandir programas sociais como o Bolsa Família. “Falaram o tempo inteiro que Bolsa Família era ‘Bolsa Esmola’. Na véspera da eleição não é bem assim a história.”

AE/EPITÁCIO PESSOA
A candidata Dilma Rousseff, durante visita em SP
“Eles foram contra o governo Lula desde o início. O partido que faz coligação com o candidato Serra, o DEM, entrou na Justiça desde o dia que nós lançamos o Prouni, arguindo a inconstitucionalidade do Prouni, querendo que o Prouni fosse cancelado. O quê eles pretendiam fazer com os 500 mil brasileiros que têm direito a uma bolsa pelo Prouni eu não sei. Mas que há diferenças entre nós há”, afirmou.

Dilma, que durante o debate evitou citar o nome do presidente Lula , disse não ter visto mudanças na forma com que se refere ao padrinho político. “Ontem falei ‘nosso governo’. ‘Nosso governo’, posto que não sou presidente, é ele. Não vi mudança nenhuma”, disse a candidata, que prometeu não abrir mão das referências ao presidente. “Posso falar de vários jeitos. Mas não vou abrir mão disso”.

Nervosismo na TV

Aparentando bom humor, a ex-ministra afirmou que é mais difícil responder às entrevistas da imprensa do que nos debates. “Tive bons treinadores”, disse, em referência aos jornalistas.

Sobre o nervosismo apresentado na TV, ela “culpou” a formalidade do evento. “É mais formal, vem a orquestra, toca. Tem essa formalidade que aqui não tem. Diante da informalidade a gente fica, né?”.
Ela negou ter sentido o peso da responsabilidade durante o debate. “O peso da responsabilidade está nas minhas costas todos os dias”.

A candidata minimizou também as provocações feitas por Plínio de Arruda Sampaio, adversário do PSOL na disputa, durante o debate. “Cada um representa posições políticas diferentes. Cada um teve seu destaque em relação áquilo que queria do debate. É impossível dizer que medi o Plínio pelo mesmo metro que meço Marina ou o candidato Serra. Cada um tem uma posição política diferenciada no quadro e no espectro político brasileiro”, disse.

Apae

Sobre as críticas feitas por José Serra, segundo as quais o governo Lula teria cortado verbas para transporte de crianças com deficiência atendidas pela Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais), Dilma afirmou que a entidade integra recursos do Fundeb e não está abandonada, como argumentou o adversário. “Nós fizemos o maior programa de transporte escolar, tanto transferindo orçamento geral da União para os municípios como financiado municípios. É só ver a quantidade de ônibus que nós temos no (programa) ‘Caminhos para a Escola’”.

    Leia tudo sobre: Eleições DilmaEleições SerradebateLulaFHC

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG