Dilma coloca Brasil na lista de países governados por mulheres

Conheça outras líderes mundiais que fizeram história ao chegar ao poder

Luísa Pécora, iG São Paulo | 01/11/2010 20:24

  • Mudar o tamanho da letra:
  • A+
  • A-

Antes mesmo de começar seu governo, Dilma Rousseff já entrou para a história como a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Quando ela tomar posse, em 1º de janeiro de 2001, o país se unirá a outros três latino-americanos que, neste momento, são governados por mulheres: Argentina, Costa Rica e Trinidad e Tobago.


Mulheres também estão no poder em países tão distintos quanto Alemanha e Libéria, além de, em diferentes momentos da história mundial, terem desempenhado papel de liderança na Europa, na América do Sul e no Oriente Médio.


Conheça algumas das mulheres que estão no poder atualmente:


Angela Merkel, chanceler da Alemanha
Considerada a política mais importante e influente do mundo, Angela Merkel, 56 anos, foi eleita chanceler da Alemanha em 2005 e reeleita para o cargo em 2009. Além de primeira mulher a liderar o país, foi também a primeira pessoa nascida na Alemanha Oriental a ser escolhida chanceler depois da reunificação.
Líder da União Democrática Cristã, partido conservador da direita alemã, Merkel é considerada uma líder pragmática e desempenha papel central na resposta do continente europeu para a crise econômica de 2008.
A chanceler alemã só começou sua carreira política aos 36 anos. Antes disso, fez doutorado em Física e trabalhou como química. Divorciada do primeiro marido, hoje está casada com o professor de Química Joachim Sauer. O casal não tem filhos.


Cristina Kirchner, presidente da Argentina
Atual presidente argentina, Cristina Kirchner, 57 anos, desenvolveu sua carreira política ao lado do marido, Néstor, que conheceu durante a juventude e com quem se casou em 1975. Eleito presidente em 2003, Kirchner desistiu de concorrer à reeleição em 2007, apesar de estar em fim de mandato com uma popularidade de 50% - o mais alto nível de aceitação desde a restauração democrática, em 1983.
Na época, analistas políticos especulavam que ele havia favorecido Cristina, que então ocupava uma cadeira no Senado, com a perspectiva de voltar ao poder em 2011 e garantir ao clã pelo menos 12 anos consecutivos no poder. Mas as chances de o plano dar certo diminuíram com a queda da popularidade de Cristina, que se elegeu em 2007 com a maioria de votos em todas as regiões da Argentina, com exceção de Buenos Aires, a área mais rica e populosa do país.
Os bons índices de popularidade do início do mandato caíram pelas denúncias de corrupção contra o casal, pela incapacidade de controlar a inflação e pela tentativa de cobrar um imposto agrícola que desatou um conflito de meses com os ruralistas em 2008. A morte de Néstor Kirchner, em 27 de outubro, deixa o futuro político de Cristina ainda mais incerto.


Julia Gillard, primeira-ministra da Austrália
Em setembro de 2010, aos 48 anos, Julia Gillard tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de premiê da Austrália. Gillard não foi eleita pela população mas, sim, em convenção partidária, após um golpe de seu partido contra o então presidente Kevin Rudd, de quem foi vice-presidente desde 2007. Antes disso, foi ministra do Emprego e da Educação. É solteira e não tem filhos.


Laura Chinchilla, presidente da Costa Rica
Primeira mulher a ser eleita presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla, 51 anos, tomou posse em maio de 2010. Ela substituiu Óscar Arias, seu colega no Partido de Libertação Nacional e a quem serviu como vice-presidente. Cientista política, estudou na Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos. É contrária ao casamento gay e ao aborto.


Pratibha Patil, presidente da Índia
Eleita em 2007, a atual presidente da Índia tem 75 anos e chegou ao poder por indicação de Sonia Gandhi, líder do majoritário Partido do Congresso e sua amiga pessoal. Nascida em Maharashtra, no oeste do país, é formada em Direito e teve uma atuação política discreta até ser eleita presidente.
Outras líderes mundiais atualmente no poder: Dalia Grybauskaite, presidente da Lituânia; Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria; Hasina Wajed, primeira-ministra de Bangladesh; Johanna Sigurdardottir, primeira-ministra da Islândia; Kamla Persad-Bissessar, primeira-ministra de Trinidad e Tobago; Tarja Halonen, presidente da Finlândia.


Conheça outras mulheres que fizeram história no poder:


Benazir Bhutto, ex-primeira-ministra do Paquistão
Primeira mulher a dirigir um país muçulmano, Benazir Bhutto foi eleita primeira-ministra do Paquistão em 1988. Serviu em dois mandatos: de 1988 a 1990 e de 1993 a 1996. Nas duas ocasiões, foi afastada do cargo pelo presidente, acusada de corrupção.
Nascida na província de Sindh, estudou nas universidades de Harvard e Oxford e entrou para a política por influência do pai, o ex-primeiro-ministro paquistanês Zulfikar Ali Bhutto. Em 2007, quando atuava como líder da oposição, foi assassinada em um atentado suicida que matou pelo menos 20 outras pessoas em Rawalpindi, onde participava de um comício. Bhutto, que tinha 35 anos, morreu no hospital.


Golda Meir, ex-primeira-ministra de Israel
Uma das fundadoras do Estado de Israel, em 1948, Golda Meir ocupou uma série de cargos importantes no governo israelense, a maioria no Ministério das Relações Exteriores. Dona de uma cadeira no Knesset, o Parlamento israelense, ela foi chamada para substituir o primeiro-ministro Levi Eshkol, morto em 1969. Quando assumiu o cargo, Meir tinha 70 anos.
Durante seu mandato, encerrado em 1974, liderou Israel em momentos difíceis, como a guerra da Yom Kippur – conflito militar ocorrido em 1973 no qual uma coalizão de Estados árabes liderados por Egito e Síria atacou Israel, que saiu vitorioso.
Enquanto esteve no poder, Meir governou com pulso firme, o que rendeu um comentário famoso do primeiro chefe de governo de Israel, David Ben Gurion: “ela é o único homem do gabinete”, afirmou. Meir morreu em 1978, aos 80 anos.


Isabel Perón, ex-presidente da Argentina
Primeira mulher a ocupar o cargo de presidente na América Latina, Maria Estella Martínez de Perón, conhecida como Isabelita, assumiu o governo da Argentina em 1974, aos 43 anos, após a morte de seu marido – Juan Domingo Perón, presidente do país por três mandatos. Ex-dançarina de cabaré, Isabelita foi a terceira esposa de Perón.
Durante seu conturbado mandato houve muitas greves de trabalhadores e assassinatos políticos. Deposta em 1976 por um golpe militar, foi mantida em prisão domiciliar por muitos anos até se mudar para Espanha, onde vive até hoje. Isabelita tem 79 anos.


Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra da Grã-Bretanha
Embora tenha deixado o poder há mais de duas décadas, em outubro de 2010 Margaret Thatcher foi eleita a mulher mais influente do mundo em uma enquete popular realizada pelo portal AOL na Grã-Bretanha. Os 32% dos votos obtidos mostram a importância da ex-primeira-ministra, que governou por três mandatos consecutivos, entre 1979 e 1990.
Nascida em 1925 em Grantham, na Inglaterra, em 1975 se tornou líder do Partido Conservador e o levou ao poder quatro anos depois. Durante seu governo, reduziu a inflação, mas não conseguiu conter o desemprego. Manteve uma forte aliança com o então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e seu jeito firme de governar lhe rendeu o apelido de “Dama de Ferro”.
Em 1990, diante de divisões internas no Partido Conservador, renunciou ao mandato e foi substituída por John Major. Hoje, aos 85 anos e após sofrer uma série de derrames, faz raras aparições públicas.


Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile
Integrante do Partido Socialista, tomou posse em março de 2006 após ter sido ministra da Saúde e ministra da Defesa – a primeira mulher a ocupar este cargo na América Latina. Governou até 2010 e deixou o governo com cerca de 80% de aprovação. Como a reeleição não é permitida no Chile, apoiou o candidato Eduardo Frei, mas não conseguiu transferir sua popularidade a ele, que perdeu para o atual presidente chileno, Sebástian Piñera.
Na década de 1970, durante a ditadura do general Augusto Pinochet, o pai de Bachelet foi preso acusado de traição. Ela e a mãe também foram presas e torturadas, antes de seguirem para o exílio.
Durante sua passagem pelo Ministério da Saúde, Bachelet foi criticada pela Igreja Católica no Chile ao permitir a distribuição gratuita de pílula do dia seguinte para vítimas de abuso sexual. Atualmente, aos 59 anos, dirige a agência das Nações Unidas voltada às mulheres.

 

    Notícias Relacionadas



    Busca Por Candidatos

    Ver de novo