Diante de eleitores, Dilma e Serra baixam tom em debate

Tom propositivo e críticas veladas dominam último confronto dos presidenciáveis na televisão, realizado pela TV Globo

Andréia Sadi, enviada, e Raphael Gomide, iG Rio |

Em seu último confronto na televisão, os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) evitaram o confronto direto diante dos 80 eleitores indecisos selecionados pela TV Globo para participar do encontro. A emissora optou por um formato diferenciado no embate desta sexta-feira, pelo qual os eleitores formularam todas as questões apresentadas aos candidatos. Com isso, Dilma e Serra evitaram ataques mais duros e mantiveram o tom propositivo durante todo o evento.

Ainda assim, Dilma e Serra investiram em críticas veladas um ao outro. Repetiram muitos dos mesmos ataques lançados nos últimos debates dos quais participaram, porém com tom mais ameno e sem citar diretamente o adversário. 

Serra, por exemplo, saiu em defesa da liberdade de imprensa - o controle social da mídia é tema recorrente no discurso do PT. Condenou ainda a tolerância com irregularidades no governo, mas deixou de fora menções ao caso da ex-ministra Erenice Guerra, braço direito e sucessora de Dilma na Casa Civil, afastada em meio à descoberta de um suposto esquema de lobby no governo. "Tem que ser implacável com quem comete irregularidade", criticou o tucano.

Dilma, por sua vez, fez críticas à terceirização de serviços públicos. E apoiou-se em programas sociais do governo para criticar indiretamente a administração do tucano Fernando Henrique Cardoso, como no momento em que citou o programa Luz para Todos. "Antes, não tínhamos luz elétrica", criticou a petista. Dilma abordou ainda o tema da segurança pública, em que costuma se apoiar para criticar a gestão de Serra no governo de São Paulo.

Dilma também repetiu - novamente sem menções diretas ao rival - as críticas ao tratamento dado pelo governo do tucano aos professores grevistas nos meses que antecederam a campanha presidencial. “Não se pode criar uma situação de atrito com o professor. Recebê-los com cacetete ou interromper o diálogo”, disse.

Nem mesmo ao falar dos boatos que circularam na internet em relação à sua campanha Dilma bateu de frente com Serra. Falou genericamente sobre os rumores e apenas aproveitou as considerações finais para dizer que ficou "muito chateada" com o ocorrido. No encerramento, Serra preferiu enunciar sua biografia e pedir o voto dos eleitores.

O debate de hoje foi o quarto entre os candidatos desde que teve início o segundo turno. Cada um dos eleitores convidados pela Globo para o debate formulou cinco perguntas a serem feitas aos candidatos sobre temas como saúde, educação e investimentos em infraestrutura. Doze perguntas foram selecionadas, num total de 400. O debate registrou 25 pontos de audiência no Ibope.

Primeiro bloco

Em geral, os dois candidatos mantiveram o tom mais ameno e falaram sobre questões propositivas, como a abordagem que pretendem dar a programas sociais como Luz Para Todos. Serra, no entanto, fez críticas veladas à petista ao tocar em pontos como a tolerância com irregularidades cometidas no governo ou a inflação que atinge os preços de alimentos.

Dilma apoiou-se em programas do governo Lula para criticar indiretamente o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. "Antes, não tínhamos luz elétrica", disse a petista, que mencionou ainda propostas para setores como segurança pública. Diante da pergunta de uma eleitora, Serra viu a chance de criticar a política de controle de fronteiras e contenção do tráfico de drogas, reiterando seus planos de criar o Ministério da Segurança.

Segundo bloco

Na abertura, os candidatos foram questionados sobre saneamento público. Enquanto Dilma exaltou projetos como Minha Casa Minha Vida e Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Serra destacou o peso desse setor na saúde. "O que é preciso ter? Uma Força Nacional de Defesa Civil", prometeu o tucano.

Os dois candidatos foram questionados ainda sobre educação. Serra se propôs a criar um plano nacional para o setor e prometeu que a iniciativa será suprapartidária. O tucano aproveitou ainda para exaltar a proposta de colocar dois professores na sala de aula.

Dilma alfinetou Serra mais uma vez, ao falar sobre o relacionamento com os professores - o assunto costuma guiar críticas da petista ao tucano, embora desta vez o ataque tenha sido feito de forma velada. “Não se pode criar uma situação de atrito com o professor. Recebê-los com cacetete ou interromper o diálogo”, disse Dilma, numa referência às greves de professores no Estado.

Terceiro bloco

No último bloco do debate, Dilma e Serra passaram os primeiros momentos debatendo sobre desmatamento e meio ambiente. “Eu assinei em nome do Brasil a redução da emissão de gas estufa de 36% a 39% até 2020. Isso significa uma meta voluntária”, afirmou Dilma. Ela prometeu o combate ao desmatamento da Amazônia, do cerrado e a criação de áreas de preservação. “Tem que haver alternativa econômica à população, senão, você favorece o desmatamento”, disse Serra.

Diante de perguntas sobre política social, Serra fez menções ao Bolsa Família, principal programa social do governo Lula. Prometeu ainda complementar a renda dos beneficiários do projeto com uma bolsa de estudos para que jovens cursem o ensino técnico. Ele prometeu ainda integrar o programa de transferência de renda a projetos como o programa Saúde da Família. Serra também criticou a saúde no governo Lula. “Política social é transferência de renda, mas é muito mais que isso. É também saúde”, responde Serra, apontando que houve retrocesso na área citada durante o governo Lula.

Dilma exaltou o compromisso do governo federal com "serviços públicos de qualidade" e prometeu desonerar serviços em setores considerados essenciais. "Eu sou a favor de desoneração de serviços públicos fundamentais para a população." Dilma aproveitou para exaltar medidas econômicas do governo Lula, dizendo ter formalizado a economia e ampliado o crédito. Serra respondeu: "Cerca da metade da população brasileira ainda está na informalidade", disse.

* Colaboraram Cíntia Acayaba, Daniela Almeida, Piero Locatelli, Flávia D'Angelo, Carlos Lo Prete

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