Desde 2003, Alencar já passou mais de um ano como presidente

Entre o início do governo e maio deste ano, o vice de Lula exerceu o cargo por 436 dias

Andréia Sadi, iG Brasília |

Como reflexo da agenda intensa de viagens internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice José Alencar já permaneceu no exercício do cargo por nada menos do que 436 dias, segundo levantamento feito pelo Palácio do Planalto a pedido do iG . Os dados são referentes a  janeiro de 2003, data da posse de Lula e Alencar, até maio deste ano. Nesse período, nem mesmo o tratamento do câncer com o qual o vice luta desde a década de 90 o impediu de assumir interinamente as funções de Lula. Alencar já despachou até mesmo de um quarto no Hospital Sírio-Libanês.

Em algumas ocasiões, a permência no posto se deu por períodos relativamente longos. Em setembro de 2007, por exemplo, foram 11 dias ininterruptos no exercício da Presidência, durante visitas de Lula à Finlândia, Suécia, Dinamarca e Espanha do presidente. A substituição por mais tempo após 2007 ocorreu em outubro do ano passado, quando Lula esteve em agenda internacional por 9 dias.  Ao todo, desde 2003, Lula foi substituído por Alencar ou outros na linha sucessória  por 460 dias.

Divulgação
Alencar já despachou como presidente até mesmo do quarto do hospital

Nas vezes em que o vice acompanhou Lula ao exterior ou em que esteve impedido de assumir o cargo, vale a linha sucessória determinada pela Constituição. Em fevereiro de 2004, por exemplo, o então presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), ocupou a cadeira de Lula por dois dias. Em novembro de 2006, foi a vez de Aldo Rebelo (PC do B-SP).

Em maio de 2006, devido a problemas de saúde de Alencar e viagem de Lula, o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) assumiu a Presidência por 5 dias. Já o ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP) assumiu pelo mesmo motivo em outubro de 2007, por 3 dias.

Agência Estado
Vice de Tancredo, Sarney passou a faixa a Collor que, por sua vez, entregou o cargo ao vice Itamar Franco
O cientista político Leonardo Barreto, da UnB, lembra que o modelo que rege a função de vice faz com que o Brasil tenha dois dois chefes de Estado oficiais simultaneamente. Esse mecanismo foi criado para evitar o vácuo no poder. Ainda assim, não altera a política vigente, na avaliação do especialista. “Como o vice, em geral, é de uma mesma composição política, ele está afinado com questões pré-estabelecidadas. O Alencar criticar o juros, por exemplo, virou uma marca, mas nada influencia na estabilidade econômica”, afirmou, ao lembrar as sucessivas críticas do vice à política de juros do governo Lula, que acabou ganhando tom de brincadeira com o passar dos anos.

Outros vices tiveram papel atuante na história política nacional. Parceiro do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Marco Maciel (DEM), substituiu o presidente FHC diversas vezes, também durante as viagens oficiais do tucano. Hoje senador, Maciel diz que o vice é uma peça importante no funcionamento da máquina pública e que ser discreto não é necessariamente fundamental. “Mais que isso, o vice não pode ser omisso”, disse ao iG .

Já o hoje presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), substituiu Tancredo Neves em 1985, quando, eleito presidente, faleceu na véspera da posse. Ele governou o País até 1990, quando tomou posse Fernando Collor de Mello. Em 1992, alvo de acusações de corrupção, Collor ro cargo em meio a um processo de impeachment. Itamar Franco assumiu em dezembro do mesmo ano e só deixou o Planalto em janeiro de 1995.

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