Desafio de Casagrande é garantir independência, dizem especialistas

Governo bem avaliado de Paulo Hartung (PMDB) pode fazer sombra à governança do sucessor

Manuela Andreoni, iG Rio de Janeiro |

Eleito no primeiro turno com 1.502.070 dos votos válidos (82,3%), o senador Renato Casagrande (PSB) confirmou neste domingo (3), nas urnas, a força política de sua candidatura. Mas, apesar da vantagem que recebeu dos  eleitores, analistas políticos que acompanharam a disputa no Espírito Santo afirmam que o futuro governador tem importantes desafios pela frente. O maior deles é garantir a independência de sua gestão e descolar a sua imagem da do governador Paulo Hartung (PMDB) - que após oito anos à frente do cargo chegou a 81% de aprovação popular, de acordo com pesquisa Ibope divulgada em julho.

A oposição sai das eleições enfraquecida. Com uma bancada governista composta por 23 deputados na Assembleia Legislativa do Estado contra  apenas 7 na oposição, Casagrande não deverá enfrentar resistências para governar. 

Casagrande venceu a disputa com o apoio do atual governador, que sacrificou seu vice, Ricardo Ferraço, até então cotado para sucedê-lo, em nome de uma costura feita nacionalmente. Com isso, sua coligação foi apoiada por 16 partidos.

Futuro de Hartung

A menos de dois meses de concluir o mandato, Hartung ainda não divulgou seus planos futuros, já que ficará sem mandato a partir do dia 1º de janeiro. Ele será o político mais influente do Estado sem cargo público. "Ele influenciou a eleição de uma bancada de deputados federais e estaduais, e conseguiu fazer Ferraço senador”, avalia Mauro Petersen, do Laboratório de Política da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Sem contar a articulação para eleição de Casagrande, que só saiu com a interferência de Hartung. 

A influência de Hartung ajudou na renovação de 1/2 da Assembleia Legislativa do Espírito Santo e levou a oposição a perder duas cadeiras a Casa. “Hartung não tem oposição. Provavelmente o Casagrande não vai conseguir reeditar essa unanimidade”, especula o cientista político Roberto Simões. Até o principal candidato da oposição na eleição, Luiz Paulo Velloso Lucas, tentou se posicionar como herdeiro de Hartung durante a campanha.“Com os recursos, contatos e prestígio que tem, Hartung pode gerar dificuldades a Casagrande", acrescenta Petersen.

Para os especialistas, o futuro de Casagrande depende de como Hartung negociará seu futuro político. Simões diz que há rumores de que Hartung teria recebido acenos de um cargo em um eventual governo da petista Dilma Rousseff. Nos bastidores da política capixaba, comenta-se ainda sobre a possibilidade de Hartung disputar a prefeitura de Vitória, hipótese que não convenceu os cientistas políticos ouvidos pelo iG

Equilíbrio entre o social e o desenvolvimento

Além de garantir independência de Hartung, especialistas também afirmam que outro desafio de Casgrande será o de dialogar com diferentes segmentos sociais. Durante a campanha, ele prometeu mais investimentos sociais no Estado e distribuição de recursos por meio de orçamento participativo, a fim de descentralizar os investimentos no litoral do Espírito Santo. “Espera-se que Casagrande dialogue mais com diferentes segmentos e não só o empresarial, que foi basicamente o que o Hartung fez", diz Roberto Simões.

Apesar do governo bem avaliado, os capixabas registram índices preocupantes em diversas áreas, lembram os analistas. De acordo com o IBGE, o Estado está no topo do ranking de homicídios, com 53,3 mortes a cada cem mil habitantes, atrás apenas de Alagoas.

Em termos de estradas, amarga o terceiro lugar no índice elaborado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) dos estados com os trechos que apresentam maiores índicies de desastres nas rodovias federais.

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