Derrotado, Mercadante tem futuro incerto na política

Senador quer disputar prefeitura de SP, mas grupo de Marta Suplicy se opôs; ele não tem lugar garantido em eventual governo Dilma

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Derrotado novamente em uma disputa para governador em São Paulo, o PT começa a pensar, a partir de agora, em sua reestruturação no principal colégio eleitoral do País. Embora tenha obtido votação recorde na eleição para deputados estaduais e federais, partido, que apostou novamente no senador Aloizio Mercadante, assistiu ao PSDB obter seu quinto mandato à frente do berço político das duas siglas. Agora, terá dois anos para lançar uma liderança viável para fazer frente à hegemonia tucana no Estado. O próximo round será a disputa pela prefeitura da capital.

A vitória em São Paulo seria o golpe de misericórdia nos planos da oposição de fazer frente ao governo petista em caso de triunfo nas eleições nacionais. Derrotado pela segunda vez consecutiva, Mercadante, que abriu mão de uma reeleição certa no Senado, passa a ser, a partir de já, um dos principais nomes do partido para a disputa na capital, em 2012. Isso se Marta Suplicy (PT-SP), fortalecida após a eleição no Senado, não decidir disputar novamente a prefeitura.

Na reta final do primeiro turno, o comando da campanha de Mercadante evitava dizer qual seria o futuro do senador caso ele não conseguisse garantir a ida para o segundo turno. Nos bastidores, fala-se que, ao aceitar disputar uma eleição em que todas as projeções apontavam vitória do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) – indo, assim, para o "sacrifício" – Mercadante recebeu como garantias espaço num eventual governo Dilma Rousseff.

“Mas tem coisas que não dependem dele ( Mercadante ). Não é ele quem monta o governo”, pondera um dirigente petista.

Antes de se lançar candidato, no começo do ano, o presidente Lula havia dito a aliados, durante uma reunião em Brasília, que previa a desistência de Ciro Gomes (PSB-CE) – primeira opção do Planalto – da disputa pelo governo paulista. Caso isso se confirmasse, disse Lula, o nome natural para o posto seria o de Mercadante. O senador, então, sabendo dos riscos, teria exigido que, em caso de vitória, tivesse prioridade para disputar a prefeitura paulistana.

O acordo não foi fechado porque o grupo ligado a Marta Suplicy se opôs. Mesmo assim, Mercadante cedeu ao apoio de Lula: lançou o nome para tentar romper a hegemonia tucana e garantir palanque para Dilma no Estado.

Cumprido o acordo, o que se diz, no partido, é que, apesar da batalha que se anuncia em torno de espaço num eventual governo Dilma, Lula deverá ser, a partir de agora, o principal fiador do abrigo ao aliado em uma gestão petista no Planalto.

*Colaboraram Clarissa Oliveira e Andréia Sadi

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