Derrota de Serra abre disputa de poder no PSDB

Equipe de Serra se reúne para avaliar erros da campanha; time de Aécio quer presidência do partido imediatamente

Nara Alves, Adriano Ceolin e Piero Locatelli |

A derrota do ex-governador José Serra nas urnas no último domingo começa a abrir no PSDB disputas internas por poder para o próximo período. Apenas algumas horas depois de terminar a apuração, Serra já se empenhava em reunir seus aliados mais próximos para avaliar erros da campanha e decidir como proceder no próximo período. Ao mesmo tempo, o time do senador eleito por Minas, Aécio Neves, começa a pressionar para que ele assuma imediatamente a presidência nacional do PSDB, trilhando o caminho para uma candidatura ao Planalto em 2014.

Serra passou a manhã e o começo da tarde com a família, em casa, e avisou à imprensa que não teria agenda pública nem pretendia conceder entrevistas. Participaram da primeira avaliação da disputa, nesta madrugada, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) e o senador eleito por São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira.

Agora à tarde, em sua casa, o candidato derrotado ao Palácio do Planalto se reuniu com Guerra, que anunciou a convocação da executiva nacional do PSDB na próxima semana. Enquanto isso, outra reunião paralela está prevista para acontecer nesta noite em São Paulo. Nesse encontro, em que a presença de Serra ainda não foi confirmada, membros do comitê financeiro vão estudar os números da arrecadação. A expectativa era de que o balanço fosse negativo, mas Sérgio Guerra adiantou hoje que a campanha vê a possibilidade de equilibrar as contas.

AE
No dia seguinte à derrota, Serra ficou em casa, revezando-se entre família e reuniões
Assim que as urnas confirmaram a derrota de Serra, aliados do ex-governador começaram a jogar na conta de Aécio o resultado da eleição. Ontem, o coordenador do programa de governo de Serra, Xico Graziano, criticou o mineiro questionando no Twitter em tom de ironia o que teria motivado a derrota em Minas Gerais. A declaração logo provocou reação, ajudando a reforçar no time de Aécio as pressões para que ele assuma o quanto antes o comando nacional do partido.

Hoje, ao chegar à casa de Serra para a reunião, Guerra minimizou a disputa interna do PSDB. Ao investir na tese de que o partido sai da corrida presidencial unido, ele comparou a campanha atual ao cenário traçado em 2006. Na época, disse ele, "não houve suficiente apoio político". "Desta vez, o PSDB não brigou. O PSDB estava unido."

Alckmin

Parte das dúvidas que circulam no partido se referem ao lado para o qual o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, pretende seguir. Ex-desafeto de Serra, Alckmin esteve ontem ao lado do tucano no discurso da derrota e ganhou elogios do ex-governador. Cogita-se dentro do PSDB a possibilidade de Serra ocupar uma secretaria no governo paulista, a exemplo do que fez Alckmin quando os dois se reaproximaram, em 2009.

Integrantes do PSDB mineiro, por outro lado, afirmam não ver em Alckmin um inimigo na disputa interna. Ainda assim, manifestam preocupação quanto à postura que será adotada por ele daqui para frente. Alckmin ficou de fora das reuniões organizadas hoje em São Paulo pela equipe de Serra. Em vez disso, viajou para Pindamonhangaba, sua cidade natal, com sua mulher Lu Alckmin.

A partir desta semana, o governador eleito vai se debruçar na montagem da equipe que fará a transição do governo hoje liderado por Alberto Goldman para a nova administração. A primeira reunião para discutir o assunto será realizada na quarta-feira. Até agora, já é certo que os trabalhos serão liderados, pelo lado da campanha, por Sidney Beraldo. Embora tenha coordenado a campanha de Alckmin ao Palácio dos Bandeirantes, Beraldo integra também o time de tucanos próximos a Serra, de quem foi secretário de Gestão no governo paulista.

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