Deputado que inspirou Tropa de Elite 2 tem 18 mil votos em área de milícia

Marcelo Freixo ficou entre os quatro mais votados em seis zonas eleitorais em bairros de atuação dos grupos paramilitares

iG Rio de Janeiro |

Bruno Gonzalez/ Futura Press
Marcelo Freixo (à direita), com Wagner Montes, os dois deputados mais votados para a Assembleia Legislativa do Rio
Deputado estadual que investigou as milícias e inspirou o personagem Diogo Fraga, do filme “Tropa de Elite 2”, Marcelo Freixo (PSOL) recebeu 18.386 votos, 10% de seus eleitores, em áreas de domínio dos grupos paramilitares. O iG pesquisou os resultados de 3 de outubro em 32 zonas eleitorais em bairros onde as milícias têm forte atuação no Rio.
É uma votação considerável em locais onde Freixo não pôde fazer campanha, por estar sob ameaça de morte – tem escola permanente. Ele foi o segundo deputado mais votado no Estado, com 177.253 votos, e se notabilizou por sua atuação na presidência da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio.
As milícias são grupos paramilitares que controlam áreas do Rio de Janeiro, onde exploram serviços ilegais – como vans e venda de gás com ágio – e cobram por “segurança”.
Paradoxalmente, em algumas zonas eleitorais da zona oeste, Freixo esteve entre os mais votados. Ele vê esse resultado – que multiplicou por 13 sua votação anterior, 13.547 – como um grito de libertação dos moradores que não concordam com a presença da milícia nesses bairros. “Para mim, é um voto de protesto, um ‘não’ à milícia”, afirmou o deputado reeleito.
Em todas as zonas eleitorais em áreas de milícias pesquisadas pelo iG , Freixo aparece entre os 25 candidatos mais bem votados.
Em Jacarepaguá (zona oeste), onde os paramilitares são muito fortes, Freixo teve ótimo desempenho. Em três zonas (180ª, 182ª e 210ª) ficou em terceiro e em duas outras (209ª e 185ª) ficou em quarto. Somou 5.440 eleitores nessas cinco. Em Rio das Pedras, favela da região onde surgiu a primeira milícia realmente organizada, Freixo ficou em sexto, com 1.410 votos.
Na 244ª Zona (Campo Grande), ficou em sétimo, com 517, na 124ª (Bangu), também, com 426 votos. Na 245ª, 11º, e em Honório Gurgel (217ª) ficou em nono.
Em Campinho (185ª zona), foi o quarto mais votado – com 1.159 eleitores –, logo atrás de um suspeito de ser miliciano, Luiz André Ferreira da Silva, o Deco, com 3.133, que não se elegeu mas vai assumir como suplente de vereador.
Milicianos não se elegem desta vez
Divulgação
O personagem Fraga (Irandhir Santos), de Tropa de Elite 2, foi inspirado em Freixo; Fortunato (André Mattos) se baseou em deputados ligados à milícia
Nenhum miliciano foi eleito para deputado nestas eleições. Nos dois pleitos anteriores, porém, ao menos cinco eleitos são acusados de pertencer a organizações do gênero: os deputados estaduais Jorge Babu e Natalino Guimarães, e os vereadores Jerominho (irmão de Natalino), Nadinho de Rio das Pedras (assassinado em junho de 2009) e Cristiano Girão.
“Houve um enfraquecimento político das milícias, mas isso não correspondeu ao enfraquecimento econômico desses grupos, que não perderam território. As milícias não acabaram, isso é uma farsa. Elas continuam a atuar, embora suas principais lideranças estejam presas”, disse Freixo.
Natalino, Jerominho e Girão estão presos. Girão foi cassado pela Câmara Municipal nesta quarta-feira (27) por não ter comparecido ao número mínimo de sessões (ele está preso). O deputado estadual do PSOL chamou de “covarde” o motivo da cassação, que não lhe retira os direitos políticos nem inviabiliza uma futura candidatura. “Ele não foi à Câmara porque está preso. Ele deve ser cassado porque é um criminoso, chefe de milícia, não porque faltou”, disse.

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