Deputado Brazão diz ser só colaborador, não dono do centro social

De acordo com o candidato à reeleição, remédios vencidos seriam jogados fora e cestas básicas eram para vítimas das chuvas

Flávia Salme, Raphael Gomide e Samia Mazzuco, iG Rio de Janeiro |

O deputado estadual Domingos Brazão (PMDB) afirmou ser apenas colaborador e não dono da Associação de Defesa da Cidadania Ação Social Domingos Brazão, na Taquara (sub-bairro de Jacarepaguá, zona oeste do Rio).

De acordo com sua assessoria de imprensa, o local é dirigido por um colegiado de empresários da região de Jacarepaguá, seu reduto eleitoral. “O deputado não é o presidente da entidade, mas um colaborador”, afirmou sua assessoria, contestando a documentação flagrada pelo TRE no local.

O parlamentar disse que as cadeiras de rodas com a inscrição do SUS (Sistema Único de Saúde) e ABBR (Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação) foram deixadas no centro social por pessoas atendidas no local. “As cadeiras ficam velhas, eles as deixam lá em troca de uma nova, melhor”, informa o deputado, por meio de assessores.

Reprodução
Cadeira de rodas apreendida no centro social do deputado estadual Domingos Brazão
Brazão explica que os remédios com a validade vencida “estavam ensacados no depósito à espera de recolhimento seletivo de lixo hospitalar”. A coordenação do Gente Solidária ainda acusa os fiscais do TRE de terem invadido o depósito. “Pegaram esse material e misturaram aos remédios que estavam dentro do prazo de validade para justificar a ação”, esclarece nota enviada por e-mail.

O deputado diz que “90% dos medicamentos prescritos por médicos que prestam serviços no Instituto Gente Solidária são de farmácia de manipulação”, e que “todos os remédios alopáticos foram doados por laboratórios farmacêuticos instalados na região de Jacarepaguá”. A nota encaminhada pela assessoria de Brazão ao iG informa que “todos os remédios encontrados na farmácia estavam dentro do prazo de validade”. De acordo com o TRE, contudo, havia “centenas de remédios na validade e com a validade vencida”.

O peemedebista também sustenta que o TRE não apresentou “os supostos papéis apreendidos, onde se exige o número de título de eleitor dos pacientes [do centro], simplesmente porque não existem”.

A assessoria de Brazão disse que “ao contrário do que infere o TRE, as cestas básicas, colchonetes e fraldas não se destinavam a doações aos pacientes”. Segundo a nota, os produtos foram doados pelos pacientes para a instituição “em solidariedade às vítimas das chuvas de abril”. A ação teria sido “apenas humanitária”. “Para evitar aleivosias, o material que ainda se encontrava no Gente Solidária deixou de ser repassado.”

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