DEM faz cálculos e vê diminuição de tamanho na eleição

Lideranças do partido avaliam que bancada do Senado deve encolher. Na disputa em quatro Estados, o ex-PFL é favorito em apenas um

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Em crise e com receio de diminuir de tamanho no Congresso, o DEM disputa este ano sua primeira eleição nacional depois que deixou de ser PFL. O partido, que enfrentou um escândalo no governo do Distrito Federal, deverá estar presente como cabeça de chapa em apenas quatro Estados: Bahia, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Norte, único em que é favorito até agora.

Nas últimas semanas, lideranças do DEM estabeleceram metas para a eleição. O principal objetivo é aumentar o número da bancada na Câmara dos Deputados. Mesmo assim, a previsão mais otimista é conquistar mais quatro cadeiras. Atualmente com 56 deputados, o DEM é apenas a quarta maior bancada da Câmara _fica atrás de PMDB, PT e PSDB.

“Mas nós elegemos 65 deputados em 2006. O problema é que muita gente deixou o partido durante o mandato”, ressalta o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). O DEM foi desidratado principalmente por causa do assédio governista. “Mas vamos conquistar na próxima eleição entre 50 e 60 deputados”, afirma Maia.

No Senado, a previsão é pessimista. Com 14 senadores, metade da bancada do DEM tentará renovar o mandato. Todos disputarão eleições competitivas. A começar pelo líder José Agripino (DEM). Ele fará dobradinha com o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). O problema é que vão enfrentar a ex-governadora Wilma Faria (PSB).

“Sabemos que será uma eleição difícil. Nossa bancada deverá diminuir também porque não há nenhum ex-governador candidato ao Senado”, disse Agripino. O líder do DEM, no entanto, leva vantagem porque comporá a chapa da senadora Rosalba Ciarlini (DEM), que disputará o governo do Rio Grande do Norte e é favorita.

Na Bahia, Paulo Souto (DEM) enfrentará o atual governador Jaques Wagner (PT). A disputa, porém, não será polarizada como em 2006 porque o PMDB decidiu lançar Geddel Vieira Lima (PMDB) ao governo.

Em 2002, o DEM da Bahia elegeu dois senadores: Antonio Carlos Magalhães e Cesar Borges (hoje no PR). Este ano ainda vacila em lançar mais de um nome. Com a morte do pai, Antonio Carlos Júnior herdou a cadeira dele. Porém, ainda tem dúvidas em disputar este ano. O único confirmado no DEM baiano para o Senado é do ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo.

Demóstenes Torres (DEM-GO) tem boas chances de se reeleger. “Mas a eleição não será fácil. Precisamos de uma boa chapa”, disse. Marco Maciel (PE) e Efraim Morais (PB) terão dificuldades nos Estados. E Adelmir Santana é quase um azarão no Distrito Federal.

Escândalo e vaga de vice
Além das dificuldades eleitorais por estar oito anos na oposição, o DEM enfrentou sua pior crise no fim do ano passado com o escândalo no governo do Distrito Federal _o único que o partido detinha até então. Uma operação da Polícia Federal revelou um esquema de corrupção. O então governador José Roberto Arruda saiu do partido e depois renunciou.

“É claro que essa crise abalou o partido. Mas também abalou a atividade política em geral”, disse o ex-deputado e ex-ministro da Fazenda Gustavo Krause (DEM-PE). Ele foi um dos autores dos documentos que refundaram o PFL e transformaram o partido no DEM.

A crise no DEM diminuiu seu poder de reivindicar a vaga de vice na chapa encabeçada por José Serra (PSDB). Antes do escândalo no DF, até mesmo o ex-governador Arruda figurava com chances de ficar com a vaga. Atualmente, o mais cotado para ser companheiro de Serra é o deputado baiano José Carlos Aleluia.

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