DEM consolida aliança com PSDB no Espírito Santo

Em convenção realizada hoje, partido fechou apoio ao tucano Vellozo Lucas para o governo estadual após diretório nacional intervir

Flávia Salme, especial para o iG Rio de Janeiro |

O DEM capixaba acertou nesta quinta-feira a coligação com o PSDB e o PTB para lançar o deputado federal tucano Luiz Paulo Vellozo Lucas ao governo do Espírito Santo. No acordo, também ficou decidido que a deputada Rita Camata (DEM-ES) será a única candidata da coligação ao Senado. 

Os democratas prometem apoiar informalmente a candidatura ao Senado do vice-governador Ricardo Ferraço (PMDB), filho do deputado estadual Theodorico Ferraço (DEM). O vice chegou a ser cotado como candidato à sucessão do governador Paulo Hartung (PMDB), mas foi preterido em benefício do senador Renato Casagrande (PSB), pré-candidato governista.

“Na aliança formal, nosso apoio é para a Rita. Mas, no lugar do segundo candidato, vamos apoiar informalmente o vice-governador Ferraço. A decisão foi unânime no partido”, disse o vereador de Vitória Max da Mata, recém-nomeado presidente regional do DEM-ES.

De acordo com o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, a escolha do vice-candidato na chapa ainda não foi decidida. Na próxima segunda-feira (14) será montado um comitê para a coligação traçar as ações da campanha. A expectativa, segundo o pré-candidato, é atrair para o bloco o PPS, além do PMN e do PSC.

“O que importa agora é que o Espírito Santo não terá candidatura única, como estava sendo cogitado há dois anos. Vencemos a pressão de um projeto que parecia imbatível”, comemorou o pré-candidato tucano. “Agora, vamos batalhar para desmontar a máquina governista”, finalizou.

Acordo saiu após intervenção

A aliança com tucanos e petebistas foi consolidada após a direção nacional do DEM intervir no diretório da legenda no estado. Na semana passada, o presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), assinou uma resolução que nomeou o vereador Max da Mata no lugar do deputado estadual Élcio Álvares - que preside a Assembleia Legislativa do Espírito Santo – na presidência do diretório regional.

Nos bastidores da política capixaba, deputados estaduais do DEM contam que Álvares estava sensível ao argumento de que, com a coligação, os pré-candidatos do partido nas eleições proporcionais (deputados estaduais e federais) perderiam tempo da propaganda na TV para os concorrentes do DEM e do PTB.

Procurado pelo iG , o deputado não comentou a questão. Pediu que o assunto fosse debatido com o novo presidente da legenda. “Estimamos que nossa coligação tenha 7,5 minutos na propaganda gratuita na TV, é tempo suficiente para todo mundo”, disse Max da Mata.

Segundo ele, a coligação DEM-PSDB-PTB pretende lançar pelo menos 30 candidatos à Assembleia Legislativa e entre oito e dez deputados federais. O presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, não retornou as ligações do iG para comentar a questão.

“O projeto nacional forçou as duas candidaturas”

Para o cientista político Roberto Simões, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a composição do bloco DEM-PSDB-PTB só foi possível graças ao enquadramento da direção nacional do DEM. Simões acredita que a intervenção foi necessária para garantir palanque para o pré-candidato tucano à Presidência, José Serra.

“Para se ter uma ideia, dos 30 deputados da Assembleia Legislativa do Espírito Santo 29 integram a base de apoio do governador Paulo Hartung, que está com a petista Dilma Rousseff”, disse. “A Casa Civil do Palácio Anchieta foi duas vezes comandada pelo DEM. Ou a direção nacional da sigla fazia alguma coisa ou a campanha do Serra seria minada no estado”.

A cientista política Marta Zorval, da Ufes, avalia que a coligação em torno de Vellozo Lucas deixa o cenário mais competitivo no estado. Ela reconhece que o bloco pode favorecer o desempenho do pré-candidato José Serra, mas diz que é difícil estimar o impacto desse apoio.

“É difícil dizer se essa aliança vai fazer diferença em relação aos votos para o Serra, mas, inegavelmente, ela tem peso, é um palanque consolidado”, ponderou a especialista. “Até a semana passada havia dúvida sobre a possibilidade de esse acordo sair”, finalizou.

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