Debate vira palco para críticas de Serra sobre vazamentos

Além do tucano, Marina Silva e Plínio de Arruda Sampaio criticaram petista por quebra de sigilo e por ausência

Nara Alves, Ricardo Galhardo, Rordrigo Rodrigues, iG São Paulo |

O debate realizado na noite desta quinta-feira pela TV Gazeta e pelo jornal O Estado de S. Paulo virou palco para que o presidenciável tucano José Serra intensificasse as críticas ao governo federal e ao PT pelos casos de quebra de sigilo na Receita Federal. Ao ser questionado por jornalistas da emissora sobre que medidas tomaria para conter o problema, Serra comparou o caso ao vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no ano passado. Segundo ele, o governo dá um "mau exemplo" à população.

"Veja o que aconteceu com o Enem, em que os dados pessoais dos estudantes foram vazados", disse Serra, ao declarar que o governo quis "transformar o Enem em instrumento eleitoral". O tucano, então, retomou o caso da quebra de sigilo. "O PT da candidata Dilma está por trás desses vazamentos", disse. "Quando vem exemplo ruim de cima, não há nada pior do ponto de vista da administração (...) O que tá sobrando no Brasil são maus exemplos."

Sorteada para falar depois de Serra, a senadora Marina Silva (PV) aproveitou para criticar o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter ido à televisão para defender Dilma. "O presidente da República vem a público para dizer que as vítimas não têm nenhuma importância e apenas sai em defesa de sua candidata", disse Marina.

Os ataques de Serra foram endossados pelo candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio. “Essa moça ( Dilma ) tinha que estar aqui. É a única que ninguém sabe o que pensa. Eu to Fu. Acho que ela foi ver Pato Fu”, disse Plínio. O candidato se referiu ao debate realizado recentemente pela Rede Católica. Ausente também naquele dia, Dilma comentou no Twitter um show da banda Pato Fu no momento em que o debate era transmitido. “O Lula que espere. Ninguém conhece a moça. Nem o Lula”, provocou Plínio.

Nos demais blocos, candidatos concentraram-se em outros temas, sem perder o tom crítico em relação ao governo federal. Marina, por exemplo, cobrou de Serra a defesa do Código Florestal. Já o tucano abordou questões como o saneamento básico. Plínio, por sua vez, criticou as políticas do governo para educação e saúde.

Ainda assim, as críticas diretas a Dilma foram sucessivamente retomadas ao longo do debate.  "Essa senhora é um produto do marketing político", disse Plínio. Já Serra abordou a aliança entre Dilma e o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), antigo adversário de Lula.

'Nada de errado'

Apesar de Dilma ter sido alvo da maior parte das críticas, Plínio reservou a Serra uma pergunta sobre o uso da imagem do presidente Lula na propaganda eleitoral do tucano. O candidato do PSOL disse que o rival "esconde" o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Não escondi o Fernando Henrique. Sou muito amigo dele", respondeu Serra. "Ele me deu total cobertura ao meu trabalho como ministro da Saúde, em todas as áreas."

Sobre a presença de Lula em seu programa de TV, Serra acrescentou: "O Lula é presidente da República. Passou pelo meu programa para citar um fato. Não tem nada de errado nisso", disse o tucano. "Então você precisa demitir seu pessoal da televisão", ironizou Plínio. "Você não deveria esconder. Porque o Lula é a continuação do FHC."

Demissão

Apesar do tom duro em relação a Dilma durante todo o debate, Serra deixou para a saída as críticas mais intensas. Ao deixar o estúdio, o tucano pediu a demissão do secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, cobrou explicações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, queixou-se novamente de Dilma e acusou a campanha petista de comandar um "ato criminoso".

"O governo federal deveria demitir imediatamente o secretário da Receita, o ministro da Fazenda deveria ir ao Congresso Nacional dar as explicações, a candidata Dilma pedir desculpas por ser gente de sua campanha envolvida, e da mesma maneira o presidente Lula pedir desculpas por debochar daqueles cuja privacidade foi invadida criminosamente."

O assunto, entretanto, já havia sido citado antes mesmo do início do debate, m momento em que os candidatos aproveitaram para criticar Dilma pela ausência no evento. Em vez de comparecer ao debate, a petista optou por fazer um comício em Minas Gerais, ao lado do presidente Lula. A assessoria da ex-ministra alegou problemas de agenda.

"A ausência de Dilma incomoda a democracia", disse Marina. “É bom que os candidatos apareçam e coloquem suas ideias para comparação", cobrou Serra, último dos três presidenciáveis ao chegar ao estúdio. “É uma prepotência e uma arrogância achar que não tem obrigação de expor ao público o seu pensamento. Ela é a mais desconhecida entre os candidatos e tinha obrigação de estar aqui”, ironizou Plínio, que engatou no tema da quebra de sigilo.

*Colaborou Cíntia Acayaba, iG São Paulo

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