Debate foi 'maior sacrifício da vida', diz Weslian Roriz

Candidata e mulher de Joaquim Roriz diz que 'parecia que eu estava indo para a forca defender o meu marido'

Agência Estado |

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Escorada no slogan de que trará de volta a Brasília "o jeito Roriz de governar", Weslian Roriz (PSC) quer mostrar que tem também o mesmo "DNA Roriz" de fazer campanha. "Eu enfrentei o maior sacrifício da minha vida", disse ela, em discurso em Luziânia, a 60 quilômetros de Brasília, ao relatar a experiência no debate entre os candidatos ao governo do Distrito Federal, na Rede Globo, realizado ontem. "Parecia que eu estava indo para a forca defender o meu marido. É muito cruel o que estão fazendo com ele", disse Weslian, substituta de Roriz, barrado pela Lei da Ficha Limpa.

Felippe Bryan Sampaio, iG Brasília
Candidata do PSC ao governo do DF, Weslian Roriz, participa de debate
Pouco articulada, Weslian foi vítima de si mesma no debate. Sem a oratória e a desenvoltura do marido, ex-governador por quatro mandatos, ainda assim tentou incorporar o "jeito Roriz de debater". Nos momentos que sentiu-se acuada, caiu com um "tudo tem sua hora e vamos fazer" - mesmo subterfúgio usado por Roriz quando não quer se comprometer ou não encontra respostas.

Orientada pela campanha do marido, também adotou estratégia de criticar o PT, principal partido adversário da campanha do PSC, sem precisar polarizar o debate com Agnelo Queiroz, candidato líder nas pesquisas. Em duas ofensivas, ela se reportou ao candidato Toninho do PSOL, ex-petista.

Apesar de ter dito no horário eleitoral que Weslian seria "teleguiada" pelo marido caso eleita, no encontro nos estúdios da Rede Globo Toninho foi mais afável: "Eu não faço crítica ao fato da senhora estar aqui substituindo Joaquim Roriz, esse não é o problema. O nosso problema são as divergências que temos sobre os projetos para o DF", disse.

"Ao mirar no Toninho ela tem a intenção de, como o Roriz fez nos debates passados, achar um interlocutor que é educado, não vai agredir ninguém. Roriz também só perguntava ao Toninho nos debates que participou", avaliou a mulher do ex-petista, a candidata a deputada distrital Maninha (PSOL).

Aborto

Católica fervorosa, Weslian também partiu para cima do PT, acusando o partido de defender o aborto - uma das principais censuras feitas pelo ex-governador ao partido que ajudou a fundar em Goiás, em 1986. Na última entrevista como candidato, Roriz havia dito que Agnelo é ex-comunista, que comunistas não acreditam em Deus e por isso são a favor do aborto.

Weslian chegou ao debate com a mesma fala do marido e, ansiosa para usá-la, acabou inquirindo o adversário no espaço em que deveria responder sobre políticas para o transporte público na cidade. "Eu gostaria de dizer o senhor o seguinte: o senhor foi do Partido Comunista, que não acredita em Deus, e agora está no PT. O senhor é a favor ou contra o aborto?"

A pergunta, que na hora soou como mais um erro da candidata, fez Agnelo recuar no bloco seguinte, usando um dos seus espaços para esclarecer que era cristão e contrário ao aborto.

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