Debate da CNBB evita confronto direto entre presidenciáveis

Dilma, Serra, Marina e Plínio confirmaram presença no evento de amanhã organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Agência Estado |

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No debate entre presidenciáveis promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Universidade Católica de Brasília (UCB), que acontece amanhã na capital federal, não haverá confronto direto entre os candidatos. Além disso, eles poderão se livrar de perguntas que envolvam temas sensíveis à Igreja Católica, como o aborto e a união civil de homossexuais.

Essas prerrogativas decorrem das regras estabelecidas pelos organizadores do evento, que preferem reservar o espaço "para a defesa das propostas dos candidatos" e não ao enfrentamento entre eles. Os quatro principais candidatos confirmaram presença: Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

Pelas regras acordadas, a interação somente será possível quando um concorrente comentar a resposta do adversário. Mas nenhum candidato poderá fazer perguntas diretamente a outro. A regra é de que o primeiro candidato (conforme a ordem de sorteio) tenha três minutos para responder à pergunta. Em seguida, outro candidato (também definido por sorteio) terá um minuto e meio para comentar a resposta. Por fim, o autor da resposta dispõe de 30 segundos para a réplica.

Em defesa do formato do debate, o secretário-executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), Daniel Seidel, afirma que o objetivo é evitar que os candidatos "caiam em pegadinhas". "Queremos que todos tenham o melhor desempenho possível e apresentem ideias para a construção de um País. Os eleitores estão cansados de ataques pessoais entre os candidatos".

O representante da CBJP ressalta, entretanto, que os temas conjunturais estarão presentes, como as recentes denúncias de corrupção no governo Lula, que envolvem a Casa Civil - da qual Dilma Rousseff era titular - e os Correios. "Um dos temas presentes é a ética na política e na gestão pública", conta. No entanto, ele critica a força do marketing político no processo eleitoral: "Ele empacota os candidatos como se fossem produtos, para que o eleitor compre com seu voto. Queremos confrontar os candidatos com as propostas de cada um para o País", disse Daniel Seidel.

As perguntas relacionadas à corrupção, ética, e temas sensíveis à Igreja, como aborto e união civil entre homossexuais, ficam na maior parte reservadas ao terceiro bloco. Mas um ou outro tema poderá ficar de fora, porque o formato predefinido contempla 20 questões principais. Destas, apenas quatro serão transformadas em perguntas aos presidenciáveis, na forma de sorteio.

Quatro blocos

O debate, agendado para 21h30 de amanhã, será dividido em quatro blocos. No primeiro, os candidatos terão de responder à pergunta previamente encaminhada: indicar as três prioridades de seu governo caso seja eleito presidente da República. No bloco seguinte, os candidatos responderão às perguntas dos presidentes das entidades que patrocinam o debate: Universidade Católica, Associação Brasileira das Universidades Comunitárias (ABRUC), Associação Nacional de Educação Católica (ANEC) e Comissão Brasileira de Justiça e Paz, representando a CNBB.

No terceiro bloco, respondem a perguntas sorteadas entre os 20 temas pré-selecionados para o evento. Por último, os candidatos respondem a uma mesma pergunta formulada a todos. E dispõem de um minuto cada para as considerações finais. Entidades representativas da sociedade civil como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Movimento Nacional de Combate à Corrupção, Pastoral da Criança e Conselho Indigenista Missionário (Cimi), entre outros, colaboraram enviando perguntas aos candidatos.

Transmissão ao vivo

O debate promovido pela CNBB e Universidade Católica de Brasília terá o sinal retransmitido para todo o País pela Rede Vida (de emissoras católicas). Os canais de tevê das universidades comunitárias também transmitirão o evento ao vivo, bem como o portal da UCB na internet (www.ucb.br).

Será o quarto debate a contar com a presença dos quatro principais presidenciáveis, cujos partidos têm representação no Congresso. A candidata do PT, Dilma Rousseff, faltou ao último confronto, promovido pelo SBT e transmitido apenas para a Região Nordeste. Mais dois confrontos estão previstos até a eleição: na Rede Record, no próximo domingo (26), e na Rede Globo, no dia 30.

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