Cúpula da PRF é afastada no Rio após denúncia de corrupção

Um dos envolvidos é o candidato a deputado Marcelo Lessa, ex-secretário de Transportes de Nova Iguaçu na gestão de Lindberg Farias

iG, Rio de Janeiro |

A 1ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou nesta sexta-feira (17) o afastamento da cúpula da Polícia Rodoviára Federal (PRF) no Estado depois de o Ministério Público denunciar dez policiais suspeitos de formação de quadrilha, corrupção e uso dos cargos com fins eleitorais. Entre os acusados está o candidato a deputado federal Marcelo Lessa (PR), que é apontado o terceiro homem na hierarquia da PRF no Rio e chefe substituto de policiamento de fiscalização.

O site do candidato informa que  ele "em 2008 e 2009 foi cedido pelo Ministro da Justiça ao município de Nova Iguaçu, ocupando cargos importantes, tais como: Secretário de Transportes, Presidente da Companhia de desenvolvimento de Nova Iguaçu (CODENI) e Assessor Especial do Prefeito ( Lindberg Farias, candidato ao Senado pelo PT )".

A quadrilha é acusada de montar um esquema de liberação de veículos em situação irregular que trafegavam na Via Dutra. Segundo as investigações, ônibus com problemas na documentação ou sem condições de tráfego que estavam marcados com adesivos de Macelo Lessa eram liberados pela fiscalização no posto da Pavuna. A quadrilha receberia propinas de três concessionárias de ônibus: Rubanil, Transmil e Tinguá. "Mas caminhões e até carros de passeios também era ilegalmente liberados", disse o delegado Alexandre Saraiva.

Presos

Agentes da Polícia Civil do Rio prenderam nesta sexta o chefe do posto da PRF na Pavuna, Erly Simões, e Antônio Márcio Rodrigues, que seria assessor de Lessa. A esposa do candidato, Camilla Fernanda Silva Lessa, também foi denunciada por falsidade ideológica, já que seria "laranja" do marido em uma empresa.

Foram afastados do cargo o superintendente da PRF no Estado Carlos Hamilton Fernandes Pinheiro, o chefe de policiamento de fiscalização e segundo na hierarquia da instituição no Rio; Eugênio Nemirovsky,  e o corregedor regional Cristiano Morais da Silva.

A denúncia do Ministério Público federal acusa o superintendente, o corregedor e o chefe de policiamento e fiscalização da PRF de usarem os cargos para encobrir os crimes de Marcelo Lessa. "Havia o nítido propósito de contribuir para a eleição de Lessa, visando benefícios futuros", escreveram os procuradores.

Interceptação telefônica autorizada pela Justiça mostrou que Marcelo Lessa acompanhou a extorsão de comerciante chinês na Via Dutra. Lessa garantiu "trânsito livre" ao estrangeiro, desde que ele doasse R$ 10 mil para sua campanha.  O gerente das viações Rubanil e Tinguá, Antonio Ferreira, também foi acusado de oferecer vantagens aos policiais a fim de evitar que os ônibus da empresa fossem fiscalizados. Em troca, cedia veículos para Lessa usar na campanha.

Respostas

A Polícia Federal informou que todos os denunciados negaram as acusações. Pela internet, Marcelo Lessa se disse vítima de perseguição.

A assessoria do ex-prefeito de Nova Iguacu, Lidberg Farias, informou que "enquanto foi Secretário Municipal de Transportes Marcelo Lessa não cometeu nenhuma irregularidade".

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