Críticas aos governos federal e estadual marcam debate em SC

Candidatos ao governo catarinense fizeram ¿tabelinhas¿ em encontro promovido por rádio local

Emerson Gasperin, iG Santa Catarina |

Os candidatos ao governo catarinense Angela Amin (PP), Ideli Salvatti (PT), Raimundo Colombo (DEM) e Valmir Martins (PSOL) desfilaram suas promessas – ou compromissos, como rezam as campanhas atuais – em debate realizado neste domingo pela rádio Rural, de Concórdia, no Oeste do Estado. O programa, transmitido para 30 emissoras da região, foi marcado pelas “tabelinhas” entre um e outro contra um terceiro, mirando nas forças que cada um representa.

Assim, Ideli e Angela confrontaram Colombo com críticas à gestão do ex-governador e candidato a senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), aliado do democrata, na área de educação. A senadora petista ressaltou que o campus do Instituto Federal na cidade trouxe o ensino universitário para a região, mas que esse movimento não foi acompanhado pela instalação de um campus da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), enquanto a deputada federal pepista disse não concordar com um governador que entrou na Justiça contra o piso salarial dos professores, como fez Luiz Henrique.

Colombo defendeu-se citando números da administração do peemedebista no setor, prática que até então não havia adotado com tanta ênfase nesta campanha. O senador democrata mencionou que, durante o mandato de Luiz Henrique (2003-2010), Santa Catarina registrou o maior percentual do país em alunos na universidade (25%, ante a média nacional de 12%), o menor índice de analfabetismo e que 830 mil uniformes foram distribuídos gratuitamente.

Ideli foi muito cobrada por mais atenção do governo federal para Santa Catarina, principalmente em relação aos desabrigados na enchente de 2008 e ao atraso em obras de infraestrutura. No momento mais tenso do debate, Colombo questionou o porquê do veto do presidente Lula ao projeto aprovado pelo Congresso prevendo recursos da Mega-sena para ajudar na reconstrução das cidades afetadas pelas cheias. A candidata alegou que o valor do prêmio era ínfimo se comparado com os recursos destinados pelo Planalto e abriria um precedente para outras tragédias.

“Com a liberação do FGTS aos atingidos pela enchente, 500 mil famílias acessaram R$ 1,4 bilhão, o que é centenas de vezes mais do que qualquer mega-sena”, respondeu ela. “Pode ser ínfimo para quem lida com grandes somas, mas para quem ainda está morando em abrigos, é o valor da dignidade”, devolveu Colombo. “A responsabilidade de comprar os terrenos para as famílias reconstruírem suas casas era da prefeitura de Blumenau, do seu partido. O dinheiro está lá, mas as pessoas continuam nos abrigos porque os terrenos comprados não estão regularizados”, replicou Ideli.

Sobre a duplicação das rodovias, a senadora disse que “as obras andam no ritmo que é permitido pelo orçamento e pelo clima”, lembrando que “nos últimos mil dias, tivemos 46% de chuva”. Correndo por fora, Valmir Martins afirmou que a discussão deveria priorizar “modelo de governo” em vez de obras. O candidato do PSOL não poupou a descentralização da gestão de Luiz Henrique (“As 36 secretarias regionais custam R$ 500 milhões por ano, dinheiro que poderia ser investido em saúde e educação), estrutura que Colombo garantiu que manterá a aperfeiçoará.

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