Crise na vice provoca momento mais delicado da campanha de Serra

Tucano tenta manter aliança com DEM, sofre desgaste com escolha de vice, deve perder PSC e vê Dilma subir nas pesquisas

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, enfrenta nesta quarta-feira o momento mais delicado de sua campanha até agora. Principal aliado, o DEM escolhe em convenção se permanece ao seu lado. Tudo dependerá da mudança do vice na chapa tucana. O DEM vetou Alvaro Dias (PSDB-PR) e tenta emplacar um novo nome para substituí-lo.

Outro aliado, o PSC deve abandonar Serra e fechar com Dilma Rousseff (PT). Em maio passado, o partido havia firmado acordo com o tucano. O crescimento da petista nas últimas pesquisas eleitorais fez a cúpula do PSC rever sua posição. A sigla daria cerca de 22 segundos ao tucano no horário eleitoral gratuito. E é por causa do tempo de TV que Serra não quer perder o apoio do DEM.

As negociações com o partido adentraram a madrugada. Após a reunião da cúpula do DEM em Brasília, o presidente do sigla, Rodrigo Maia, viajou para São Paulo a fim de ter uma conversa decisiva com Serra. Com o argumento de que o irmão de Alvaro, Osmar Dias (PDT), disputará o governo do Paraná coligado com o PT, o DEM considerou inviável a manutenção do senador tucano como vice na chapa de Serra.

Desde que o nome de Alvaro foi anunciado na sexta-feira, o DEM trabalha contra ele. Em principio, acreditou-se que o partido cederia, mas a crise ganhou força no fim de semana. Após duas reuniões com os tucanos, o impasse não foi desfeito. Nem a ala mais moderada do DEM conseguiu viabilizar uma saída honrosa. Venceu a tese de Rodrigo Maia de que era necessário tirar Alvaro do posto de vice.

O episódio só serviu para fragilizar ainda mais a candidatura de Serra. Além de apoios regionais e estrutura partidária, o DEM soma minutos importantes no programa de TV no horário eleitoral gratuito. O partido garante a Serra 7min23 contra 10 minutos da petista Dilma Rousseff. Se o DEM não ficar na coligação, o tucano perde um terço do seu tempo e cerca de 60% seriam herdados pela adversária.

O presidente do DEM garantiu, no entanto, que o partido trabalhará por um acordo com o PSDB. “Nós queremos construir uma aliança sólida”, disse. “De sexta-feira para cá, houve muita coisa errada”, completou. Rodrigo reclamou, principalmente, do anúncio de Alvaro Dias como vice feito pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, por meio uma mensagem publicada no Twitter.

Luta por sobrevivência
Por trás da reivindicação da vaga de vice, o DEM luta por sua sobrevivência. Fundado em 1985 como Frente Liberal, o partido sempre esteve próximo do poder como uma espécie de coadjuvante necessário. A partir 2003, com a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi obrigado a se instalar na oposição e, a partir daí, começou a encolher. Perdeu deputados, senadores e hoje não tem nenhum governador de Estado.

Tinha até dezembro passado José Roberto Arruda no governo do Distrito Federal. No entanto, com a revelação de um esquema de distribuição de propina para aliados, deputados e secretários de Estado, ele saiu do partido e renunciou ao cargo. O então vice, Paulo Octávio _outro democrata envolvido nas denúncias_ não teve outra saída e tomou o mesmo caminho. Deixou o partido e renunciou ao cargo.

O esquema resvalou no presidente do DEM. Segundo o delator do esquema, o ex-delegado de polícia Durval Barbosa, “Rodrigo acertava diretamente com Arruda” o recebimento de dinheiro. Até agora, no entanto, não surgiu nenhuma prova de que ele tenha sido beneficiado pelo esquema. “O Ministério Público vai pegar”, disse Durval em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” em maio deste ano.

Deputado em terceiro mandato e filho do ex-prefeito carioca Cesar Maia, Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia, 40 anos, foi alçado à Presidência do DEM com a função de mudar a imagem do partido, cuja origem a é a Arena (sigla que apoiou a ditadura nos anos 70). Ao mesmo tempo, o partido mudou de nome. Deixou de ser PFL (Partido da Frente Liberal) e virou DEM (Democratas), em 2007.

Atualmente, a sigla tem 56 deputados federais, 14 senadores, dois vice-governadores, 111 deputados estaduais, 497 prefeitos e 4811 vereadores espalhados pelo País. “Nos últimos anos, o partido tentou abraçar a bandeira conservadora, mas acabou sofrendo uma série de problemas que o assolaram e diminuíram seu vigor”, resumiu o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

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