Reportagem do iG ouviu lideranças do governo e da oposição. Dilma pode melhorar apoio, mas deve sofrer ataques do PSDB

O crescimento no Datafolha da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, vai ajudá-la na reta final de alianças com partidos que apareciam divididos ou indecisos. Por outro lado, a ex-ministra da Casa Civil deverá sofrer mais ataques a partir de agora. A avaliação é de lideranças governistas e oposicionistas ouvidas pelo iG neste sábado.

De acordo a última pesquisa Datafolha, Dilma subiu sete pontos percentuais, saiu de 30% para 37%. Está, no momento, empatada com José Serra (PSDB), que caiu de 40% para 37%. O levantamento foi feito na quinta e na sexta-feira, com 2660 entrevistas, uma semana depois da exibição do programa de TV do PT cuja estrela foi Dilma.

“O resultado serve de estímulo e ajuda muito na formação das alianças restantes”, disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). “No próprio PMDB, tem um efeito muito importante para setores que vinham a candidatura dela com desconfiança. Mas nós temos de continuar trabalhando”, completou.

O PMDB marcou para 12 de junho a convenção do partido que deverá confirmar o apoio à Dilma e o lançamento de Michel Temer como vice na chapa. No encontro, representantes dos 27 diretórios votam a favor ou contra a aliança. Atualmente, Estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná estão divididos.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccareza (PT-SP), também avalia que o crescimento de Dilma ajuda a azeitar as alianças. Cita como exemplo o PP, partido a quem Serra ofereceu a vaga de vice na chapa dele para o senador Francisco Dornelles (PP-RJ). Atualmente integrante do governo, o PP está dividido entre Dilma e o tucano.

“Acho que houve muito exagero por parte da imprensa nessa história do PP. Eles sempre foram aliados do governo”, disse Vaccareza. “Mas é claro que o crescimento na pesquisa ajuda a reafirmar nossa aliança”, concluiu o líder governista.

Os oposicionistas ouvidos pelo iG avaliam que Serra precisa ser mais crítico a Dilma e ao governo Lula. “Sempre defendi um posicionamento mais afirmativo. Caso contrário, você acaba beneficiando o continuísmo”, afirma Alvaro Dias (PSDB-PR). “Serra é experiente. Vai saber a melhor forma de ser mais crítico ao governo”, completou.

O líder do DEM no Senado, José Agripino, também acredita que Serra tem de usar o programa de TV do PSDB para marcar posição. “Dilma só cresceu por causa do programa do PT na semana passada. Serra tem de fazer a mesma coisa”, disse. “E tem de fazer isso com muita eficiência pontuado suas diferenças em relação a ela”.

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