Corpo de Romeu Tuma é velado em SP e será enterrado às 15 horas

Personalidades como o prefeito de SP Gilberto Kassab, Aloizio Mercadante e Gilmar Mendes compareceram ao velório

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Familiares e amigos velaram durante toda a madrugada o corpo do senador Romeu Tuma, que faleceu nesta terça-feira em São Paulo em razão de falência de múltiplos órgãos. O senador tinha 79 anos e estava internado do Hospital Sírio Libanês desde 01 de setembro, quando deu entrada com um quadro de faringite, segundo o médico que cuidou dele, Rogério Tuma, filho mais velho do senador.

Romeu Tuma tinha problemas cardíacos há doze anos, desde quando sofreu um infarto na tribuna do Senado no primeiro mandato como parlamentar, o que o obrigou a colocar três pontes de safena. Ele também sofria de diabetes e tomava injeções de insulina para controlar a doença.

O corpo de Romeu Tuma está sendo velado na Assembleia Legislativa de São Paulo, onde deve permanecer até às 14 horas, quando parte para o enterro, marcado para as 15 horas desta quarta-feira, no cemitério São Paulo, zona oeste da capital paulista. O corpo do senador chegou ao local por volta das 21 horas, carregado por policiais civis e militares. A abertura do caixão foi marcada por muita emoção dos quatro filhos e esposa, Zilda.

Diversas autoridades políticas passaram pelo local para desejar pesares aos familiares e lamentar a morte do parlamentar, que estava há 16 anos no Senado e tentou a reeleição neste ano, chegando em quinto lugar com mais de 5 milhões de votos. Durante boa parte da campanha o senador esteve internado no hospital Sírio Libanês e vários boatos sobre sua morte foram plantados por adversários políticos antes de 03 de outubro.

No último dia 02, Tuma realizou uma cirurgia para colocação de um coração artificial. Segundo o médico Rogério Tuma, o artefato funcionou bem até três dias antes da morte do senador, quando uma complicação renal culminou em uma infecção intestinal e a falência de múltiplos órgãos.
“Sinto-me derrotado como médico por não ter conseguido fazer o que eu queria ter feito para salvar meu pai”, lamentou o médico Rogério Tuma ao informar a morte do pai ontem em São Paulo. “Ele participou de uma eleição em que esteve ausente (da campanha) por mais de um mês. Quem votou nele, votou com manifestação de desejo de melhora. Agradeço a este ato de carinho de todos os eleitores. O que ele mais queria era continuar no Senado fazendo justiça. Ficou 79 anos lutando para ser uma pessoa educada, polida e carinhosa, e lutando para ser justo", disse o filho.

Repercussão
Várias autoridades estiveram presentes no velório de Romeu Tuma desde esta terça-feira. Entre elas, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que disse que conversou com o senador pela última vez nas vésperas da eleição de 03 de outubro e esperava seu pronto restabelecimento. Mendes e Tuma foram colegas no governo Sarney e Collor, onde ocuparam cargos de indicação política. "Ele estava preocupado com a dureza da campanha. Desejei boa sorte a ele e prometemos nos falar logo depois do pleito", disse o ministro. "Ele era um homem preocupado com o País e com a liberdade da Justiça. Estive preocupado com a saúde dele e posso dizer que realmente perdi um amigo", afirmou Gilmar Mendes.

Segundo o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), Tuma foi muito dedicado ao seu trabalho à frente de vários órgãos públicos como a própria PF ou a Receita Federal. "Todos os cargos ocupados por Romeu Tuma foram com muita dedicação, desprendimento e espírito público. Também era um cidadão exemplar e um pai de família dedicado. Ele deixa um legado de realizações, competência e solidariedade", disse Kassab.

Além do prefeito, o senador Aloisio Mercadantes, ex-candidato do PT ao governo de SP, compareceu a cerimônia de despedida do colega de Senado, lembrando da participação dele em todas as comissões parlamentares que discutiam a Segurança Pública no Brasil.

Mercadante lembrou que Romeu Tuma era representante brasileiro no parlamento do Mercosul, e sempre se dedicou a discutir a integração continental dos países do bloco e o combate conjunto ao trafico de drogas. "O Tuma tinha uma dedicação ao serviço publico muito rara de se ver. Era um compromisso muito enraizado com o Estado de São Paulo, principalmente nas questões sobre violência e trafico de drogas", declarou Mercadante.

Já o criminalista Márcio Thomaz Bastos foi o escolhido pela presidenciável Dilma Rousseff (PT) para representá-la no velório do senador Romeu Tuma, falecido nesta terça-feira em São Paulo. O advogado chegou ao velório por volta das 21 horas e disse que tem um profundo respeito pela memória do ex-delegado geral da Polícia Federal.

"Venho aqui hoje em meu nome pessoal, sou amigo dele (Romeu Tuma) e da família dele, mas também em nome da candidata Dilma, que me pediu para que a representasse junto à família. Ela me pediu para que trouxesse uma mensagem de carinho, sentimentos e pêsames", disse o ex-ministro.

Trajetória
Formado em Direito, Romeu Tuma ingressou na Polícia como investigador, foi delegado e diretor da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e chefe do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops). Na década de 80, assumiu a Superintendência da Polícia Federal no Estado e foi diretor da PF até 1992, além de ocupar os cargos de Secretário da Receita Federal e Secretário da Polícia Federal.

Foi assessor especial do governo de São Paulo até 1994, quando se elegeu senador pelo ex-PFL, atual DEM, sob o mote de “Xerife de São Paulo”, com 5,5 milhões de votos. Em 2002, foi reeleito com 7,2 milhões de votos. Seu mandato terminaria em 31 de janeiro de 2011. Os dois projetos de lei mais relevantes apresentados por Romeu Tuma referem-se ao combate ao crime e à violência, como proposições de modificações no Código Penal e a Lei de Execução Penal, que obriga autores de crimes violentos o cumprimento de ao menos dois terços do total das penas. Tuma também apresentou a emenda constitucional aprovada que permite às prefeituras fazer convênios com Estados para empregar guardas municipais no apoio às polícias Civil e Militar.

Outras propostas apresentadas por ele ganharam repercussão na mídia, como a que autoriza o livre acesso em locais públicos a cães guias utilizados por deficientes visuais e a que regulamentou a profissão de peão boiadeiro. Em 2009, então corregedor do Senado, Tuma foi acusado pelo ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi de envolvimento em um esquema de corrupção na contratação de empresas terceirizadas. Tuma negou as acusações e arquivou o caso.

Neste ano, o senador voltou a enfrentar constrangimento diante da opinião pública. Desta vez, por causa do suposto envolvimento de seu filho Romeu Tuma Jr., ex-deputado estadual e secretário Nacional da Justiça, com a máfia chinesa em São Paulo.

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