Convenção do PMDB-DF começa com ânimos exaltados

Rosso admite que rompeu acordo, mas compara atitude do partido à "volta da ditadura"

Ana Paula Leitão e Gabriel Costa, iG Brasília |

A convenção do diretório estadual do PMDB-DF, que acontece neste sábado, começou com ânimos exaltados. Antes do início oficial do evento, a área externa do auditório do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) de Brasília já estava lotada, com a presença de três carros de som - dois menores em apoio ao presidente do diretório regional do PMDB, deputado federal Tadeu Filipelli, possível vice na chapa do candidato petista ao governo Agnelo Queiroz; e um maior onde o atual governador do Distrito Federal, Rogério Rosso, discursou.

Rosso conseguiu na madrugada deste sábado, no Tribunal de Justiça do DF, um mandado de segurança para disputar a convenção, em decisão liminar do juiz de direito Ricardo Faustini Baglioli. O governador tenta concorrer à reeleição, enquanto Filipelli, quer a aliança com o PT de Queiroz. Na sexta-feira, 18, a Executiva do PMDB local não aceitou o registro de candidatura de Rosso na convenção.

Na convenção, Rosso admitiu que rompeu o acordo assumido com o partido, que estabelecia que o candidato eleito para o mandato tampão não disputaria nenhum cargo nas eleições de outubro, mas afirma que o fez pelo "bem da cidade". O compromisso, foi formalizado por meio do que ficou conhecido como "Carta de Brasília", na ocasião da eleição de Rosso, após o José Roberto Arruda ter o mandato cassado pelo TRE-DF por infidelidade partidária.

Questionado a respeito da atitude, Rosso disse que "a traição é dos parlamentares que foram criados por um político, começaram a fazer oposição a ele e agora querem fazer um casamento novamente." O governador comparou ainda a pressão para que não seja candidato à reeleição à "volta da ditatura."

Quebra de promessa
Em nota divulgada à imprensa, o PMDB alegou que a candidatura de Rosso iria contra o código de ética do partido.

“No entender da Comissão Executiva do PMDB-DF, [o registro de candidatura] foi recusado por significar uma quebra do acordo que o partido assumiu com outros nove partidos que assinaram o documento que ficou conhecido como ‘Carta de Brasília’. (...) [Ela] estabelecia que o candidato eleito para o mandato tampão não disputaria nenhum cargo nas eleições de outubro de 2010”, diz trecho da nota.

Dessa forma, a convenção não iria deliberar sobre a possível candidatura própria, com Rosso e sua vice, Ivelise Longhi, mas somente decidir se o PMDB vai se aliar ou não com o PT em apoio ao cabeça de chapa Agnelo Queiroz .

“Acordos são feito para serem cumpridos. Não é admissível que um projeto pessoal de poder venha comprometer todo o esforço que estamos fazendo para resgatar a normalidade política e a confiança das pessoas que vivem em Brasília. Além disso, é muito difícil compreender que, enquanto em outros estados há um esforço para construir os acordos aqui, o que estamos vendo é toda uma engrenagem disposta a desconstruir o que já conseguimos avançar”, disse Filippelli em nota.

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