Consultor nega que empresa pediu verba para financiar Dilma

Quícoli, que denunciou suposto esquema de corrupção na Casa Civil, confirma pedido de dinheiro para intermediação de empréstimo

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

O consultor Rubnei Quícoli, que denunciou o suposto esquema de corrupção que culminou com a queda de Erenice Guerra do comando do Ministério da Casa Civil, negou que tenha dito em algum momento que o dinheiro supostamente exigido pela empresa Capital Consultoria e Assessoria, de Saulo Guerra, filho da ex-ministra Erenice Guerra, fosse para financiar a campanha da presidenciável Dilma Rousseff (PT).

"Não tem nada que diz que foi pedido dinheiro para campanha para PT, para campanha da Dilma. Eu disse que o Marco Antonio (ex-diretor dos Correios) pediu esse dinheiro para poder favorecer a Dilma, a Erenice, e uma parte na campanha. Eu não falei nada disso aí", afirmou Quicoli, após depor por quase oito horas na Polícia Federal, em São Paulo, no inquérito que investiga tráfico de influência dentro da Casa Civil.

Quícoli negou ter tido qualquer contato com os filhos de Erenice, afirmando que somente pela mídia teve conhecimento de que eram sócios da Capital. "Fiquei surpreso que o papel dele veio à tona agora, pela mídia agora. Não por mim. Eu não sabia quem era Israel, quem era Saulo", argumentou.

O cosultor confirmou à polícia, porém, que fez negócios com a empresa em nome dos filhos da ex-ministra. Segundo ele, a negociação era feita somente com Marco Antonio e com o sobrinho dele, Vinícius Castro, ex-assessor da Casa Civil. Além de exigir R$240 mil para intermediar o empréstimo, os envolvidos cobravam uma "taxa de sucesso" de 5% do valor do empréstimo, que seria de R$9 bilhões.

Apesar de o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ter negado o empréstimo para projeto de energia eólica da empresa EDRB, o consultor disse que vai continuar pleiteando o financiamento do projeto. Segundo Quícoli, o projeto só foi barrado porque os intermediários da Capital desejavam receber o pagamento de R$ 5 milhões para intermediar o negócio, a título de "taxa de sucesso". Na avaliação dele, o projeto é um grande atrativo para geração de energia renovável no Nordeste.

Quícoli também confirmou que os donos da EDRB, Aldo Wagner e Marcelo Scarlassara, que também foram ouvidos hoje pela polícia federal, sabiam da cobrança de R$ 5 milhões como taxa de sucesso caso o financiamento fosse concretizado junto ao BNDES. Ambos foram ouvidos durante toda amanhã, acompanhados do advogado Rodolfo Vacari Batista. Os empresários foram embora sem falar com a imprensa.

Novos depoimentos
Além dos empresários da ERDB, a Polícia Federal deve ouvir nesta quarta-feira o ex-assessor da Casa Civil, Vinícius Castro. O depoimento dele e da mãe, Sônia Castro, que aparece como sócia da Capital Assessoria seria na segunda, mas foi adiado a pedido do próprio suspeito.

Na próxima segunda, a PF também deve ouvir o tio de Vinícius, Marco Antônio de Oliveira. Ex-diretor dos Correios denunciou o esquema à revista Veja e ainda disse que o sobrinho teria recebido R$200 mil em dinheiro por intermediar o contrato de compra do medicamento Tamiflu pelo Ministério da Saúde.

Os filhos da ex-ministra Erenice Guerra também devem ser ouvidos, mas a polícia ainda não conseguiu intimar Israel e Saulo Guerra. Os filhos de Erenice, Vinícius e o tio, Marco Antonio, são suspeitos de facilitarem a renovação de contrato da Master Topic Airlines (MTA) com os Correios.

Eles teriam sido contratados pelo empresário Fábio Baracat, através da empresa Capital. Baracat disse à PF que pagou R$ 200 mil aos donos da consultoria como parte da intermediação. Os Correios, a MTA e a ANAC negam qualquer irregularidade na concessão da licença e na prorrogação do contrato.

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