Reservado e de poucos amigos, candidato a vice na chapa de Serra comemora 40 anos em evento político

Embora falante em eventos de campanha, o candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra (PSDB), Antônio Pedro de Siqueira Indio da Costa (DEM), é apontado por amigos como um homem reservado na vida pessoal e, hoje em dia, avesso a badalações. Nesta quarta-feira (20), Indio completa 40 anos e segundo assessores próximos, não vai haver festa. “Ele não vai fazer nada pessoal para comemorar seu aniversário, só vai trabalhar”, diz um colaborador.

A “festa” de 40 anos de Indio da Costa foi programada para ser um jantar às 17h30 na churrascaria Porcão Rio’s, no Aterro do Flamengo. “O Indio não gosta desse negócio de comemoração. Esse evento organizado por lideranças do DEM e do PSDB, vai ser um encontro político”, conta um funcionário da equipe.

O ex-prefeito Cesar Maia (DEM), padrinho político do candidato, afirma que a celebração será 'um ato pró-Serra’. “Meu presente de aniversário será meu voto para ele e para Serra”, conta Cesar, que prometeu comparecer ao local acompanhado de lideranças do partido como seu filho, o deputado Rodrigo Maia – um dos poucos amigos próximos de Indio –, o deputado Arolde de Oliveira (DEM), e o vereador Eider Dantas (DEM).

Nos bastidores da campanha, outro colaborador diz que antes mesmo de começar a corrida eleitoral, Indio da Costa, deputado federal licenciado, já era reservado e alheio a euforia coletiva. “Quando ele está em Brasília, costuma jantar frequentemente no restaurante Dona Lenha, na Asa Norte. É de massas e comida mediterrânea”, revela. “Mas o que ele gosta mesmo é de ficar em casa e cozinhar para namorada. Ele não chega a ser um chef, mas sua especialidade são massas e peixes”, diz.

“Ele é obstinado, trabalhador e ambicioso. Sonha ser prefeito do Rio. Ele não era o preferido nem o mais próximo do Cesar Maia, que tinha preferência pelo atual prefeito Eduardo Paes. Mas ele foi quem ficou até o final”, lembra uma antiga funcionária.

“Eu rachei com o DEM e hoje estou no grupo do prefeito Eduardo Paes. Mas a amizade com o Indio continua, embora a gente não se encontre com muita frequência. Mas quando a gente andava junto, ele gostava muito de ir na churrascaria Mariu’s, no Leme”, diz o ex-subprefeito da zona sul no governo Cesar Maia, Bruno Filippo.

Um vice DJ e baterista

Para amigos de adolescência, a entrada de Indio da Costa – o Antônio Pedro, como chamam os íntimos – na política não surpreendeu. “Ele sempre foi muito sedutor e inteligente. Tinha talento para articular pessoas”, diz o cineasta Phillipe Barcinski, que estudou com Indio dos 9 aos 13 anos de idade, no Colégio Andrews (zona sul).

Ex-colegas do Andrews costumam relatar uma história em comum para descrever o candidato: desde cedo Indio demonstrava ser um empreendedor. “Aos 13 anos ele montou sua própria equipe de som para tocar nas festas”, lembra Barcinski.

O cineasta assegura que Antônio Pedro era fã de Michael Jackson, mas não confirma a versão de que o político dançava os passos do Moonwalk, como chegou a ser comentado ao longo da campanha. “Ele usava um casaco vermelho igual ao que o Michael usou no clipe de Thriller”, entrega.

Na mesma época, Indio da Costa também aprendeu a tocar bateria, instrumento que, quando pode, ainda tenta praticar. “Lembro de uma história engraçada. Vendi minha bateria Pinguim branca para ele, que disse que ia pagar depois das férias. Meses depois, descobri que ele tinha ido aos EUA ficar um ano em intercâmbio”, relata o ex-colega Daniel Toffoli em uma comunidade do Andrews no Facebook.

“Fomos eu e minha mãe atrás do pai dele, arquiteto famoso, cobrar o valor. O pai pagou à vista e em dólar”, diverte-se Toffoli, que não retornou ao pedido do iG para contar mais detalhes da história. Indio da Costa, no entanto, negou o relato. “Isso não aconteceu”, disse durante um ato de campanha em Niterói.

Já na Universidade Cândido Mendes (Ucam), onde cursou direito, Indio protagonizou outras histórias que, agora candidato a vice, voltam às lembranças dos amigos. Ainda no Facebook, a ex-colega Sandra Maciel escreveu: “Estavam todos na sala fazendo prova e o Paulo pediu cola para o IC (Indio da Costa), que disse que não ia dar, porque o Paulo deveria ter estudado. Tempos depois, ele pediu votos para o Paulo, que, claro, lembrou a história e disse que também não ia dar o voto (risos)”.

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