Comício do PT em Porto Alegre desagrada lideranças do PDT e PMDB

Evento reunindo Dilma, Lula e Tarso Genro é motivo de desconforto para a campanha de José Fogaça ao governo do Rio Grande do Sul

Ricardo Galhardo, enviado a Porto Alegre |

O comício dos candidatos do PT à Presidência, Dilma Rousseff, e ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, marcado para o final da tarde desta quinta-feira em Porto Alegre com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é motivo de desconforto para dois dos principais aliados do partido em nível nacional: PMDB e PDT.

O PMDB gaúcho, cujo candidato ao governo é José Fogaça e que oficialmente se mantém neutro na disputa presidencial, está incomodado com a campanha aberta de Lula para Tarso. Já o PDT local, que integra a coligação de Fogaça, não se conforma com a dissidência do ex-governador Alceu Collares (PDT) em favor do candidato petista. Collares deve ser um dos oito oradores do comício a despeito da orientação do diretório estadual do partido.

Segundo o deputado federal Mendes Ribeiro (PMDB-RS), coordenador político da campanha de Fogaça, a presença de Lula e Dilma no palanque de Tarso afasta ainda mais o PMDB gaúcho da campanha da petista.

Perguntado sobre a ida do presidente ao palanque de Tarso, ele respondeu: “essa deve ser uma relação extremamente cuidadosa. Na medida em que o PT do Rio Grande do Sul força uma situação dessas e cola no Lula, isso não beneficia a candidatura presidencial de Dilma. Não sei se o Lula dá mais ao Tarso ou se o Tarso tira mais da Dilma”.

Embora o PT local afirme que o PMDB gaúcho tem feito campanha para o tucano José Serra, Ribeiro reafirmou o compromisso de neutralidade. “O PMDB é neutro. Não é a favor de Serra nem contra Dilma e o Fogaça, como candidato, representa a posição do partido”, afirmou.

Enquanto isso, o PDT local, que indicou o deputado Pompeo de Mattos para vice de Fogaça, ameaça levar Collares para a comissão de ética do partido por contrariar a direção estadual e aderir abertamente à campanha do petista.

A ameaça, no entanto, não tem muitas chances de sucesso na direção nacional do PDT, cujo presidente licenciado é o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Ele já disse abertamente que não vai enquadrar Collares, quadro histórico do partido, ex-companheiro de Leonel Brizola, e que na condição de prefeito e governador do Rio Grande do Sul foi o primeiro a nomear Dilma para um cargo de primeiro escalão ao escolhe-la para chefiar a Secretaria da Fazenda em sua passagem pela prefeitura de Porto Alegre, na década de 80. Segundo a direção nacional do PDT, a chance de o partido enquadrar Collares é nula.

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