Com reeleição de Cid, Ceará vira última janela política para Ciro

Depois de ser preterido na disputa presidencial, deputado agora tem futuro político incerto

Gustavo Poloni e Clarissa Oliveira, iG São Paulo |

Ao mesmo tempo em que consolida o PSB no poder no Ceará, a reeleição do governador Cid Gomes (PSB) transforma o Estado em última janela política para o deputado Ciro Gomes (PSB). Tirado da disputa presidencial após seu partido privilegiar a aliança em torno da petista Dilma Rousseff, Ciro desistiu de disputar um mandato parlamentar e entra no próximo ano sem um futuro político certo.

Na época em que foi preterido na disputa ao Planalto, Ciro minimizava as preocupações quanto à possibilidade de ficar fora da cena política. "Eu não tenho problema algum com isso, tenho uma vida independentemente do que acontece Câmara", disse Ciro, em uma visita a São Paulo antes da largada da corrida eleitoral.

AE
Cid Gomes comemora ao lado do irmão Ciro Gomes a vitória ao governo do Estado do Ceará
Na manhã deste domingo, o deputado foi votar sozinho na Escola de Saúde Pública em Fortaleza. Se não fosse a Justiça Eleitoral ter implantado o voto em trânsito na eleição deste ano, o socialista teria que votar em São Paulo, longe de seu berço político. No auge das negociações partidárias para a eleição, Ciro cedeu às pressões do Planalto e transferiu seu domicílio eleitoral para a capital paulista, para deixar aberta a possibilidade de se lançar ao Palácio dos Bandeirantes em uma aliança PT-PSB. Apesar de ser coordenador da bem sucedida campanha do irmão, Ciro preferiu passar o resto do dia recluso em sua casa.

Além de não concorrer a nenhum cargo nestas eleições, Ciro tornou-se alvo, junto com o irmão, de reportagem da revista Veja, que apontou um suposto esquema de desvio de recursos públicos que teria totalizado R$ 300 milhões de prefeituras cearenses entre os anos de 2003 e 2009. Uma parte do dinheiro teria como suposto destino um caixa 2 que teria financiado as campanhas de Cid ao governo do Estado e de Ciro para deputado federal.

O calvário de Ciro Gomes teve início há dois anos, quando começou a cogitar concorrer à Presidência da República. A pretensão esbarrou nos planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que trabalhava com a tese de que dividir a base aliada em duas candidaturas prejudicaria o desempenho da petista Dilma Rousseff nas urnas.

Apesar da pressão para desistir, o ex-governador do Ceará afirmou em abril que não mudaria de ideia. Dias depois, após encontro da Executiva Nacional, o partido anunciou oficialmente a retirada de sua candidatura. Contratado para ser comentarista de uma rede de TV no Ceará, ele disse que o PSB tirou o tapete de baixo de seus pés.

    Leia tudo sobre: eleições ce

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG