Clara será principal 'ponte técnica' na transição de governos

Assessora, no entanto, pode não fazer parte de eventual administração de Dilma Rousseff

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Da equipe de técnicos que comporá o grupo de transição do governo Luiz Inácio Lula da Silva para a administração Dilma Rousseff, a arquiteta Clara Levin Ant, 62 anos, é quem merece maior destaque até agora. Ela será a principal ponte entre o Palácio do Planalto e a presidenta eleita.

“( Clara Ant ) terá um papel importante na liga entre o governo e a campanha, pois ela conhece muito bem os dois lados de perto”, afirmou o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que foi um dos coordenadores da campanha de Dilma e também compõe o grupo de transição.

Até agora apenas sete nomes da equipe técnica foram anunciados . O grupo é coordenado pelo vice-presidente eleito Michel Temer, pelos deputados petistas Antonio Palocci, José Eduardo Cardozo e presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Clara Ant sempre foi uma pessoa de confiança do presidente Lula. Logo no início do governo, tornou-se assessora especial da Presidência da República. Era responsável por acompanhar e produzir um banco de dados sobre todas as audiências do presidente com ministros, empresários e até jornalistas.

Tudo o que o presidente ouvia ou dizia era anotado e documentado por Clara no Palácio do Planalto. Como ela mesma disse em entrevista à revista Piauí, em 2009, sempre quis atuar como uma “continuísta de filme”. Ou seja, dar sequência a conversas e informações produzidas pelo presidente e seus interlocutores.

A entrevista à Piauí foi algo raro. Clara Ant prefere não falar com jornalistas. Apesar disso, sempre circulou sem cerimônia no Palácio do Planalto. Era comum encontrá-la almoçando no mesmo restaurante do prédio anexo freqüentado por jornalistas e assessores de menor escalão.

Na campanha de Dilma, Clara Ant assumiu papel parecido com o que exercia no Palácio do Planalto. Municiava Dilma com informações sobre o governo, aliados, empresários e políticos. Como havia ocorrido no governo, a arquiteta ingressou no desafio de levar a primeira mulher à presidência da República logo no início da campanha.

Como concentrava grande volume de informações sobre conversas de Dilma, Clara também ajudou a candidata a cobrar resultados e compromissos. Também participou de reuniões preparatórias para participação em debates e sabatinas.

Foi Clara, por exemplo, quem vetou a exibição de um vídeo na XIII Marcha em Defesa dos Municípios, que contou com a participação dos três presidenciáveis . Em formato de desenho animado, prefeitos apareciam pedindo dinheiro ao governo com um pires na mão.

Clara pode não ficar no governo

Apesar de exercer papel importante na transição, Clara Ant pode não integrar um futuro governo Dilma. Ela é forte candidata a acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na criação de um instituto com o seu nome que funcionará após ele deixar o governo. Outro nome cotado é o do assessor internacional Marco Aurélio Garcia.

Boliviana de nascimento, Clara é filha de judeus poloneses. Foi militante de esquerda do grupo trostkista Liberdade e Luta (Libelu). Ingressou no PT no início da década de 80 e ajudou a fundar a Central Única dos Trabalhadores (CUT). É dela a autoria da logomarca da central.

Em 1986, elegeu-se deputada estadual pelo PT paulista e chegou a ser líder da bancada na Assembleia Legislativa. Foi seu único mandato. Em seguida, passou a ajudar Lula na criação do Instituto da Cidadania e na elaboração das Caravanas da Cidadania. Em 1998, atuou como coordenadora de finanças da campanha de Lula.

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