Cientista político questiona eficácia de associação a Lula

Professor da Universidade Federal do Maranhão lembra que ajuda do presidente não foi suficiente em eleições anteriores

Wilson Lima, iG Maranhão |

O primeiro dia de propaganda eleitoral no rádio e na televisão para a campanha do governo do Estado mostrou uma disputa velada entre Flávio Dino (PcdoB) e Roseana Sarney (PMDB) para a associação das imagens dos candidatos ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar disso, nas duas últimas eleições (2006 e 2008), nem Roseana, nem Dino, conseguiram vencer apesar da vinculação de suas candidaturas ao petista.

Durante as eleições de 2006, Roseana Sarney utilizou o vínculo com o presidente Lula como propaganda no segundo turno contra Jackson Lago (PDT). Ela perdeu as eleições por uma diferença de 70 mil votos. Já Dino, durante a disputa pela prefeitura de São Luís nas eleições de 2008, declarou-se candidato do presidente no primeiro turno e usou chamadas de Lula pedindo votos para ele para tentar vencer o tucano João Castelo no segundo turno. Dino também perdeu as eleições.

O analista político e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Wagner Cabral, afirmou que apesar das derrotas dos dois candidatos, a tática de associar a imagem de ambos a Lula foi vitoriosa. O que determinou a derrota tanto de Dino, quanto de Roseana, foram circunstâncias relacionadas ao próprio processo eleitoral.

No caso de Roseana em 2006, Cabral afirmou que a peemedebista utilizou a imagem de Lula já como o último recurso frente ao avanço da candidatura de Lago. “A associação entre os dois ocorreu depois de um comício em Timon (cidade ao sul do Maranhão). Quando ela despertou para essa tática, já era tarde. Em Timon, foi uma das únicas cidades da região que ela venceu de Lago. Por conta disso, eu até brincava dizendo que se ela tivesse feito comícios com Lula nos cinco maiores colégios eleitorais do Maranhão, ela teria vencido”, afirmou o professor da UFMA.

No caso de Dino, a associação com Lula o fez crescer de uma margem de 6% de intenções de voto para cerca de 45%, no segundo turno, em São Luís. “Dino era alguém desconhecido”, disse o professor. “Nesse caso, a campanha do PSDB baseou-se em princípios da propaganda de Lula. O PSDB não quis anular as políticas do presidente em São Luis, mas adotou discurso parecido com a promessa de conceder leite para crianças e uniforme escolar. Esse discurso conteve o crescimento da candidatura de Dino”, explicou Cabral.

O professor da UFMA fez uma última ressalva. “Adotar o ‘Lulismo’ como discurso é uma tática interessante, mas o ‘Lulismo’, por si só, não vence sozinho”, finalizou. No primeiro dia de campanha eleitoral no rádio e TV, Roseana usou-se de mensagens gravadas por Dilma Rousseff, candidata do PT e pelo próprio presidente Lula. Já Dino, disse no rádio que era o candidato que implementaria políticas públicas similares ao do governo PT no Maranhão.

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