Chavões e frases feitas guiaram discursos dos presidenciáveis

Em debates e outros momentos, Dilma e Serra recorreram a expressões repetitivas para desviar de críticas do adversário

Daniela Almeida, iG São Paulo |

"Salto baixo", "central de mentiras", "campanha do medo", “preconceito odiento”, "trololó" e "tergiversar". Faltando poucos dias para a ida às urnas os candidatos à Presidência José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) utilizaram à exaustão frases feitas e expressões repetidas ao conceder entrevistas, discursar em comícios ou participar de debates na TV. Esse quadro, se depender da experiência, poderá se repetir no debate que será realizado nesta sexta-feira, na TV Globo.

Para evitar a polêmica envolvendo a campanha tucana e o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, também conhecido como Paulo Preto, Serra já se acostumou a falar em "preconceito odiento" quando questionado sobre o antigo auxiliar, suspeito de ter desviado recursos da campanha tucana. Serra chegou a afirmar que não conhecia Vieira de Souza e depois o defendeu. Agora, usa a expressão toda vez que é questionado sobre o assunto, a exemplo do que fez no debate da Record, no início desta semana.

Agência Brasil
Serra e Dilma recorreram a expressões repetitivas durante campanha
Outro termo do discurso serrista é “trololó”, ao qual recorre para rebater qualquer crítica petista sobre a qual não queira discorrer. Já para responder sobre o tema privatizações, o candidato costuma afirmar que o PT tem uma “central de mentiras que é fenomenal", como afirmou nesta quarta-feira à Rádio Jornal, de Recife.

Já a expressão-coringa “campanha do medo” é utilizada na campanha dilmista para rebater acusações feitas pelos tucanos. "Este medo, que a cada eleição eles tenham colocar nas pessoas, é porque eles não têm um projeto para o Brasil", declarou Dilma em comício na Bahia, na terça-feira.

Sempre que questionada sobre sua vantagem contra Serra nas pesquisas, Dilma diz que não faz “campanha de salto alto”. "Vamos colocar o salto bem baixinho e disputar cada votinho. O 'já ganhou' não funciona, porque a pessoa fica orgulhosa", disse a candidata na última quarta-feira, em Brasília.

E se a pergunta envolve a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, acusada de praticar tráfico de influência no governo Lula , Dilma já transformou em rotina a menção ao caso de Paulo Preto. “Há uma questão com a ex-ministra Erenice, mas o que dizer então de Paulo Preto”, rebateu Dilma em debate da  Record nesta semana.

Na opinião do cientista e especialista em pesquisa e comunicação política, Malco Camargos, a repetição dos candidatos é a estratégia “da não discussão” de temas espinhosos. Camargos avalia, por exemplo, que Dilma perdeu votos nas urnas no primeiro turno pela forma como reagiu às críticas de Serra.

Assim, a tática petista para esta fase da eleição foi subir o tom. “Uma vez atacada pelo Serra, a defesa que ela traçou e que tem dado certo é de contra-atacar”, avalia o cientista político. “Os dois se nivelaram no discurso pelo discurso e o eleitor ficou insatisfeito com os dois”, diz.

DICIONÁRIO DA CAMPANHA PETISTA

Campanha do medo – é a acusação mais usada pela candidata do PT para rechaçar acusações tucanas. É também uma referência à campanha do PSDB, em 2002, na qual a atriz Regina Duarte afirmou que tinha medo da eleição do então candidato Lula.

Central de boataria - É usada por Dilma sempre que ela se refere aos rumores sobre seu posicionamento em relação ao aborto e principalmente sobre a afirmação de Serra de que ela se contradiz em relação ao tema

Subir no salto – desde o primeiro turno, a candidata petista usa o termo para negar seu favoritismo nas pesquisas e mostrar humildade aos eleitores.

Tergiversar – segundo a definição dos dicionários, o termo quer dizer “usar de evasivas, de rodeios, de subterfúgios” em uma fala.

DICIONÁRIO DA CAMPANHA TUCANA

Central de Mentiras – é a expressão usada pelo candidato do PSDB para rebater as críticas petistas sobre privatização de empresas públicas e a exploração do pré-sal.

Preconceito “odiento” – Usada por Serra para explicar a afirmação de que não conhece Paulo Preto, ex-diretor da Dersa em seu governo no Estado de São Paulo. Segundo o candidato, o apelido pelo qual Paulo Vieira de Souza é conhecido é preconceituoso

Trololó – também conhecido como “lero-lero” ou conversa fiada. Serra costuma usar o termo para qualificar declarações e promessas da candidata petista

Valores tradicionais da família brasileira – a frase surgiu junto com a discussão sobre o aborto. O tucano recorre à expressão para se posicionar contra o aborto e favorável a pontos defendidos pela Igreja.

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