Cesar Maia pressiona por vice, mas admite compensação

Ao iG, ex-prefeito diz que, quando Marco Maciel era vice de FHC, indicou desde o procurador-geral até ministro de Minas e Energia

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Enquanto o candidato à Presidência José Serra (PSDB) assistia no Rio de Janeiro ao primeiro jogo do Brasil na Copa, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), em entrevista ao iG , empenhava-se em mandar um recado ao tucano. Disse que se a escolha do vice na chapa não privilegiar um nome do Democratas, Serra, se eleito, vai ter que encontrar uma forma de compensar a legenda.

“Se não for uma pessoa do DEM, ( Serra ) vai ter que compor crédito e débito. O crédito é o DEM estar no Palácio Jaburu ( residência oficial do vice-presidente )”, condicionou. “Veja o caso do Marco Maciel. Quando ele era vice do FHC, a gente ia lá e reclamava, o partido todo. Tínhamos uma interlocução direta no poder. O Marco, com aquele jeito discreto, indicou o procurador-geral da República, o secretário da Receita Federal, o presidente da Caixa Econômica Federal, fora os ministros, Minas e Energia e tal. Se não for assim, o partido vai conversar com quem?”, questionou.

Cesar Maia concorre ao Senado em uma aliança com os tucanos para eleger o deputado federal Fernando Gabeira (PV) ao governo do Rio. Questionado sobre o possível "débito" que o DEM cobraria de Serra caso o candidato a vice seja escolhido em outro partido da coligação PSDB-DEM-PPS, Maia esquivou-se. Disse apenas que a mobilização em torno da candidatura não será a mesma sem um vice da legenda.

“Obviamente que a não escolha do DEM terá que ser muito bem pensada. (...) Se não escolher, nenhum problema, estamos na campanha”, afirmou. “Agora, a reação não será a mesma. Depois de eleito, nós vamos ver os espaços que o DEM contribuirá no governo dele", disse.

De acordo com Cesar Maia, que é pai do presidente nacional do Democratas, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), o partido não está impondo um candidato específico. Só quer que seja da legenda, para que os militantes da sigla se engajem na candidatura tucana à Presidência.

“A posição do DEM é: nós temos milhares de militantes, alguns com mandatos, outros sem. Fique à vontade, escolha quem quiser. Não estamos insistindo em nenhum nome”, assegurou. “Qualquer escolhido do DEM, para nós, será mobilizador. Falo isso porque de vez em quando encontro com o presidente do DEM. O Rodrigo se nega a tratar desse assunto, impôr uma escolha. É do Serra, mas, entre milhares de militantes, escolha um.”

Fogo amigo

Maia, que já havia criticado a demora de Serra em se apresentar como candidato à Presidência, culpa agora o marqueteiro do tucano, Luiz Gonzalez, pelo atraso na escolha do vice. “Atrasar o anuncio do vice é um equívoco. Não do Serra, mas do marqueteiro dele, que o quer sozinho nas fotos, e está pedindo que ele retarde a escolha”, criticou. “A escolha do vice produz mobilização”.

Minutos antes da estreia da Seleção Brasileira na Copa, Cesar Maia classificou como “erro de estratégia” a visita que Serra fez ao Rio para assistir à disputa. O tucano acompanhou o jogo ao lado da presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, que também é vereadora carioca pelo PSDB. Maia disse que fez o alerta a interlocutores do candidato.

“Eu falei para o Márcio Fortes que acho um equívoco ele vir ao Rio assistir o jogo. É uma exposição radicalmente desnecessária”, disse. “A assessoria dele pode ter analisado que a probabilidade de dar um azar contra a Coréia do Norte é zero. Não é zero, é 0,0000001%, mas existe. E se esse troço acontece, com que cara que eles ficam? A imprensa vai estar lá e pedir a opinião dele sobre o jogo. Isso o Lula, que está com 85% de aprovação, tudo bem, pode falar qualquer porcaria que fica por isso mesmo. Agora, um candidato, como vai dizer isso?”, ponderou.

Cesar Maia disse que enquanto Serra se expõe desnecessariamente, a candidata do PT, Dilma Rousseff, acerta em viajar para o exterior. “Ela precisa fazer imagens com lideranças internacionais para usar na campanha. A mídia critica, mas ela está certa. O Serra já tem as dele”, opinou. “Ele tinha de fazer campanha indoor, ou seja, conversar com lideranças da coligação internamente, e promover os ajustes na campanha, mobilizar as bases”.

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