Cesar Maia é rejeitado pela segunda vez no Rio

Ex-prefeito, que comandou a capital fluminense por três mandatos, sai de cena com apenas 11% dos votos para o Senado

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

A derrota do ex-prefeito Cesar Maia (DEM) na disputa por uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro é a segunda do político que por 16 anos comandou a capital carioca e lançou uma geração de pupilos em atual destaque no Estado. Se forem consideradas as perdas das duas candidatas que ele tentou emplacar ao governo e à prefeitura do Rio, respectivamente, em 2006 e 2008, Cesar acumula quatro eleições perdidas.

Com 99,8% dos votos apurados, Cesar Maia recebeu 11,1% (1.625.107) dos votos válidos dos eleitores fluminenses. A soma é pouco mais da metade do que recebeu o deputado Jorge Picciani (PMDB), que ficou em terceiro lugar em uma disputa acirrada com o senador reeleito Marcelo Crivella (PRB).

“O Cesar Maia já passou por tudo que tinha de passar e deixou decepções no eleitorado”, analisa a cientista política Ingrid Sarti, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “O resultado mostra a tendência de renovações e mudanças”, diz.

As vitórias do ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (PT) e do senador Marcelo Crivella (PRB) sobre Cesar Maia pode dar sinais sobre os anseios de mudança do eleitorado, defendem analistas. “Cesar Maia sempre teve dificuldade em conseguir boa votação no Estado, ele tentou ser governador uma vez e perdeu”, lembra o cientista político Wladimir Lombardo Jorge. “A eleição do Linberg dá sinais de que os eleitores acreditam em um projeto de governo do PT e acham que ele representa esse ideal no Rio”, diz.

“Crivella contou com apoio do presidente Lula, mas não foi só isso que o elegeu. Ele foi senador durante oito anos e não se envolveu em escândalos”, avalia Eurico Figueiredo, professor de Pós-Graduação em Ciência Política da UFF. “Além disso, ele tomou posições fora da esfera religiosa que representa como, por exemplo, a defesa do Rio na questão do pré-sal”, acrescenta.

A Era Cesar Maia

Eleito prefeito da capital em 1992 pelo PMDB ( após romper com Leonel Brizola e deixar o PDT ), Cesar Maia conseguiu nas eleições de 1996 fazer o então secretário municipal de urbanismo Luiz Paulo Conde seu sucessor. O bom desempenho, contudo, não se repetiu na disputa seguinte, quando enfrentou o ex-governador Anthony Garotinho (então no PDT) na corrida pelo governo do estado, em 1998.

Rompido com Conde em 1999, Cesar reconquistou a Prefeitura do Rio em 2000 pelo PTB. Reelegeu-se em 2004, já de volta ao PFL (hoje DEM), com 51,06% dos votos numa disputa acirrada com o ex-aliado (Maia derrotou Conde por uma diferença de 66.849, vantagem de 2,12 pontos percentuais).

Ao deixar a prefeitura após 12 anos de comando, Cesar também fracassou em 2008 ao tentar fazer a deputada federal Solange Amaral (DEM) sua sucessora na disputa contra outro ex-aliado, o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB). Para calcular a rejeição à candidatura apadrinhada por ele, Solange ficou em sexto lugar, com 3,92% dos votos válidos.

“Não sei se é possível afirmar que a derrota para o Senado consolida o fim da 'Era Cesar Maia'. Muitos já foram dados como descartados e mostraram uma capacidade de ressurreição muito grande”, avalia Figueiredo. “O fato é que ele fez um péssimo mandato como prefeito na última gestão. Por outro lado, ele não é um homem de máquina partidária, é uma liderança personalista”, acrescenta.

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