Casal 20 de Brasília é mais controverso que o da ficção

Dobradinha de Weslian e Joaquim Roriz deu sobrevida à campanha e incorporou polêmicas que vão além do pleito deste ano

Fred Raposo, iG Brasília |

Inspirado em um seriado de TV americano, o apelido virou lema de campanha no cerrado. Na disputa pelo governo do Distrito Federal, o “Casal 20”, Joaquim e Weslian Roriz, carrega consigo além do número 20 de seu partido, o PSC, uma série de polêmicas que vão além das eleições de 2010.

A maior delas surgiu com o próprio enquadramento de Roriz, pelo Tribunal Superior Eleitoral, na Lei da Ficha Limpa. O ex-governador ainda insistiu em disputar seu quinto mandato à frente do Palácio Buriti: apresentou um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Mas o empate na votação criou um dos maiores emaranhados jurídicos-eleitorais dos últimos anos.

Pior. Com Roriz acusando o genro de um dos ministros do Supremo, Carlos Aires Britto, de ter tentado achacar-lhe R$ 4,5 milhões, levando o ministro a pedir uma investigação sobre si próprio.

Mesmo DNA

Com sua candidatura em suspenso, Roriz catapultou a mulher à posição de seu substituto. A “dobradinha” eleitoral surgiu como forma de dar sobrevida à campanha sob a seguinte ideia: vote em Weslian, leve Roriz. E a dobradinha deu certo: Weslian obteve 31,1% dos votos válidos, com 96,3% das urnas apuradas no Distrito Federal, e vai enfrentar o candidato do PT, Agnelo Queiroz no segundo turno. Agnelo ficou com 48,7% dos votos.

Dona de terras no Planalto Central, Weslian conheceu Roriz quando tinha 17 anos e ele, 23. Segundo o site da campanha da candidata, era uma festa de casamento de uma das primas de Roriz. Por se tratar de um baile temático, ela vestia trajes típicos do Japão. Os olhos puxados enganaram Roriz: “Quem é aquela japonesinha”, perguntou à prima.

Juntos há 50 anos, compartilham, no corpo a corpo com eleitores, o mesmo DNA: apelo aos mais pobres, deslizes na concordância do português, simpatia com o populismo – termo que até gostam e adotam –, choro e discursos emocionados.

Mas há um abismo no que diz respeito à experiência política de ambos. Weslian, 67 anos, vem até agora sendo mantida longe dos holofotes, mesmo como candidata. Quando apareceu no debate, foi um desastre ( http://www.youtube.com/watch?v=tPAFK_3nx9k ).

Nascida em Goiânia (GO), tem como principal ponto de seu currículo os 14 anos como primeira-dama. Além disso, apenas a fundação, em 1999, do instituto Integra, cujo principal programa foi o treinamento de cães labradores para atender deficientes visuais. Também participou da distribuição de cobertores e alimentos para desabrigados.

Já Roriz, 74 anos, nas últimas quatro décadas ocupou, com exceção da vice e da Presidência da República, todos os cargos possíveis de se disputar em eleições. Foi vereador, deputado estadual, deputado federal e vice-governador de Goiás, além de governar Brasília em quatro ocasiões.

Polêmicas

Em Luziânia, onde nasceu, Roriz participou da fundação do PT – partido que hoje qualifica como “do Satanás”. Esteve 14 anos à frente do governo do Distrito Federal, sendo dois como governador biônico, nomeado pelo presidente José Sarney. No período, ficou famoso por assentar milhares de famílias que moravam em favelas.

A farta distribuição de terras e a criação de novas cidades-satélites sem infra-estrutura adequada, ou com gabaritos muito elevados, levaram-no a ser acusado de implantar o caos urbano e fundiário no Distrito Federal.

Pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) passaram processos contra ele referentes a dano moral, improbidade administrativa, crime eleitoral, falsidade ideológica e racismo – em 2002, enquanto discursava na cidade-satélite de Brazilândia, pediu vaia a um “crioulo petista”.

Em 2007, renunciou ao Senado para escapar de ter o mandato cassado. Conversas telefônicas mostraram Roriz negociando a partilha de um cheque R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília, Tarcísio Franklin de Moura. A renúncia foi o argumento usado pela Justiça Eleitoral para negar o registro de candidatura neste ano.

O seriado de ficção “Casal 20” durou seis temporadas, entre 1979 e 1984. No programa, a mulher é uma linda jornalista. O marido, dono de um conglomerado global. Paralelamente, atuam como espiões internacionais que se enfiam nas piores enrascadas. Controvérsia pouca, diante do meio século da “dobradinha” rorizista, que, na vida real, desperta tanto ódio quanto paixão entre os eleitores.

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