Governador eleito diz que suas prioridades são ações na área social e de segurança, mas que quatro anos serão poucos

Renato Casagrande com eleitores durante a campanha pelo governo do Espírito Santo
Futura Press
Renato Casagrande com eleitores durante a campanha pelo governo do Espírito Santo
A pouco mais de dois meses de assumir como governador do Espírito Santo, o senador Renato Casagrande (PSB), 49, já adianta as ações que promete priorizar assim que receber o comando do Palácio Anchieta. Quer erradicar a pobreza e reduzir os índices de criminalidade do Estado. Embora reconheça que não poderá atingir as metas em quatro anos, o político não esclarece se já pensa em um segundo mandato.

Eleito com 82,3% dos votos válidos (1.502.070), Casagrande diz que ainda mantém o ritmo de campanha: acorda às 6h e trabalha até 22h. Dormir, ele conta, “só a partir da meia-noite”. Na rotina pós-vitória, montou a equipe de transição entre seu governo e o do aliado Paulo Hartung (PMDB). Entre uma demanda da passagem de cargo e outra da campanha do segundo turno, em que promete trabalhar para eleger a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, ele diz, manterá o expediente no Senado, onde pretende ir três vezes por semana.

A seguir, Casagrande discorre sobre o momento de transição e as promessas de governo.

iG - Qual a prioridade do senhor quando assumir o governo do Espírito Santo? 

Renato Casagrande : Teremos muito trabalho, o primeiro deles, manter o Estado organizado e os compromissos assumidos no governo Paulo Hartung. Isso é fundamental. Mas o Espírito Santo tem uma necessidade urgente de ações na área social, precisamos de medidas que possam gerar oportunidades para as áreas mais carentes, objetivando a redução da pobreza. Quero poder afirmar que o Espírito Santo erradicou a pobreza. Claro que isso não será possível em quatro anos, mas vamos caminhar nessa direção. É urgente agir na área de segurança também, outra prioridade.

iG – As ações não cabem em um mandato?

Casagrande – Não. O Paulo Hartung já agiu muito nesta área, principalmente em seu segundo governo, quando foram implantadas boas medidas voltadas para o sistema penitenciário e precisam ser ampliadas. Os índices de criminalidades são alto no Espírito Santo e isso não será revertido de uma hora para outra.

iG – O índice de homicídio no Estado é de 53,3 para cada cem mil habitantes, segundo o IBGE.

Casagrande – Sim, a média nacional é de 25 ( para cada cem mil habitantes ). Reverter esse quadro é outro objetivo. Temos uma ação planejada para algumas regiões onde o índice ( de criminalidade ) é alto. Mapeamos essas localidades na Grande Vitória e em municípios no norte do Estado, como Linhares, por exemplo. Vamos trabalhar com um plano de metas que precisará ser cumprido, com um delegado e um comandante responsáveis por áreas distintas.

iG – A vitória do senhor garantiu ao PSB um papel de destaque no cenário nacional. A coligação que apoiou sua campanha conseguiu eleger dois senadores, Magno Malta (PR) e Ricardo Ferraço (PMDB), e nove dos 10 deputados capixabas que irão compor a bancada federal na Câmara. O senhor acredita que com esse resultado conseguirá mais recursos da União?

Casagrande - O governo federal tem um passivo grande com o Espírito Santo. O presidente Lula conseguiu amenizar esse passivo, mas a dívida com o Estado ainda é grande. Principalmente nas ações de infraestrutura. A Infraero não consegue fazer as obras necessárias para melhorar os aeroportos do Estado. O de Vitória tem uma demanda enorme, precisa expandir. Até porque, há um investimento do setor privado no Estado que o setor público tem que acompanhar. A Petrobras, por exemplo, fomenta a economia aqui, mas não basta. As rodovias aqui estão péssimas, o índice de acidentes é muito alto. Estou na campanha da Dilma, mas, independentemente de quem ganhe, acho que vai ter que voltar os olhos para o Espírito Santo.

iG – O senhor fala em investimentos, sobretudo, nas áreas sociais. Não acha que esses projetos estão ameaçados pela emenda Ibsen-Simon ( que distribui igualmente os royalties do pré-sal e atribui à União a responsabilidade de ressarcir em R$ 8 bilhões os Estados produtores prejudicados com a partilha )?

Casagrande – O presidente Lula disse que vai vetar e eu confio nele. Além do mais, a emenda Simon, principalmente ela, não vai passar. Está mal redigida, incoerente, inaplicável. Agora, se passar e o presidente Lula não vetar, não vai restar outra alternativa a não ser recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

iG – De quanto seria o prejuízo para o Estado?

Casagrande – De cerca de R$ 600 milhões anuais. O impacto da emenda não viria agora, mas a partir de 2014 quando a exploração do pré-sal será mais efetiva.

iG – O senhor já montou a equipe de transição. Já escolheu nomes para seu secretariado? Pode aproveitar algum quadro do governador Paulo Hartung?

Casagrande – Não estou pensando nisso agora. Vou começar a tratar da equipe de governo a partir do mês que vem. Agora, meu critério é o da qualidade, o quadro tem que ser bom. Então, por esse princípio, pode ter gente dos partidos aliados na coligação, pode ter gente do governo Hartung...

iG – O critério será técnico ou político?

Casagrande – Essa discussão é ultrapassada. Pode ser um quadro político com um bom desempenho técnico. Pode ser um quadro técnico com um bom desempenho político. Eu quero o melhor, a equipe tem que ser boa, porque teremos muito trabalho.

iG – Mas a coligação a favor da candidatura do senhor contou com 16 partidos. Eles não vão cobrar espaço no seu governo?

Casagrande – Claro que sim. E podem entrar no governo, não estou dizendo que não. Mas o importante é a qualidade, a capacidade de fazer o melhor. Então, se for um bom nome de algum partido aliado, será escolhido. Agora, ser de um partido aliado não é o critério, certo?

iG – Sobre  a Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). A coligação que apoiou o senhor elegeu 24 deputados. Ficaram seis na oposição. O senhor acha que vai fazer um governo com “céu de Brigadeiro”?

Casagrande – Acho que ninguém consegue governar com “céu de Brigadeiro”. Mas acho que terei um bom canal de diálogo com a Assembleia Legislativa e isso vai permitir que a gente priorize as ações mais importantes para o Estado. Mas eu também vou conversar com os seis deputados da oposição, são todos meus amigos. Vou buscar conversar com todos.

iG – E como está o dia a dia do senhor após a vitória?

Casagrande - Acordo às 6h todos os dias e só paro de trabalhar às 22h, vou dormir lá pela meia-noite.

iG – Consegue ter algum momento para o lazer?

Casagrande – Por enquanto não, mas penso em descansar. Eu gosto muito de ler, de vez em quando ainda dá para ler um pouquinho.

iG – E o que o senhor está lendo ou gostar de ler. Tem algum autor favorito?

Casagrande – Gosto muito de história, história das civilizações.

iG – Alguma outra diversão? O senhor ouve música?

Casagrande – Sim, gosto muito de música, música brasileira, de raiz mesmo.

iG – Tem algum cantor favorito?

Casagrande – Vários, deixa eu ver... Gosto muito do Vinícius ( de Moraes ).

iG – Para terminar, o seu mandato de senador termina dia 31 de dezembro. Como conciliar as atividades do Senado com o governo de transição?

Casagrande – Vai dar. Vou para o Senado três vezes por semana, cumpro meu mandato até o final.

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