Cotado para o Ministério da Justiça, deputado desconversa sobre o cargo e diz que não trabalha com hipóteses

Um dos três coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, o deputado federal José Eduardo Cardozo é um dos integrantes da equipe de transição da presidenta eleita. Antes de ser convidado para a campanha, Cardozo já havia anunciado que não disputaria a reeleição para Câmara, alegando discordâncias com o sistema político atual. Junto a Antonio Palocci e José Eduardo Dutra, o deputado se transformou em um dos principais assessores da petista.

Nos bastidores, Cardozo é cotado para assumir o Ministério da Justiça no ano que vem, mas em entrevista exclusiva ao iG ,  diz que não trabalha com hipóteses. “Sem convite, tudo não passa de mera especulação”, afirmou nesta terça-feira. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:

iG: Os coordenadores da equipe de transição foram nomeados hoje. Além do senhor, estão José Eduardo Dutra, Antonio Palocci e Michel Temer, eleito vice. Por que Temer foi nomeado?

José Eduardo Cardozo: Dilma avaliou que é importante que o vice esteja integrado ao processo de transição . Na medida em que Dilma acha isto necessário ela o consultou, ele achou interessante e fará parte da equipe. Será importante a participação dele desde o início.

iG: Ontem, na primeira reunião com a presidenta eleita, o PMDB não foi convidado. Houve alguma pressão do PMDB para Temer integrar a equipe?

JC: Ontem não foi uma reunião de transição, foi uma reunião informal. Discutimos que Michel Temer deveria integrar o grupo. A reunião foi feita para formalizar os atos, cumprir a legislação, mandar ofício ao presidente da República e informando quais seriam os responsáveis pela transição e os assessores que ajudarão tecnicamente no processo.

iG: A coordenação não recebeu nenhuma reclamação do PMDB por não ter sido convidado para a reunião ontem?

JC: Não, até porque não teve reunião formal. Houve apenas encontro de Dilma com assessores mais pessoais.

iG: Dutra vai cuidar da conversa com os aliados e Palocci ficará com a parte técnica. O que ficou designado para o senhor e Temer?

JC: Haverá uma divisão natural neste sentido. O Temer, tanto quanto eu, estaremos trabalhando um pouco com cada um.

iG: Vocês ficarão mais soltos?

JC: É, ainda não conversamos com Temer sobre isso, mas acredito que será esta a divisão. Mas ainda haverá uma reunião para falar sobre isso.

iG: Haverá nesta noite a primeira conversa da equipe de transição com PMDB. E o outros partidos?

JC: Hoje será um jantar com o PMDB e depois falaremos com os demais partidos. Estas reuniões ainda serão agendadas.

iG: Serão agendadas nesta semana?

JC: Até semana que vem, mas não há nada definido ainda.

iG: Os partidos irão reivindicar cargos no governo de Dilma. Nas reuniões da equipe de transição já foi discutida esta distribuição?

JC: Vai ser discutido, acho legítimo que os partidos disputem a participação no governo. Caberá esta condução que vai unir os partidos e levar à presidenta eleita as sugestões que serão feitas pelos partidos.

iG: Como os coordenadores da transição poderão ajudar a conter a pressão dos aliados por cargos?

JC: É absolutamente natural que reivindiquem. A alternativa para isso é diálogo, ouvir as reivindicações e a última palavra é da presidente eleita. Tenho certeza de que faremos um governo equilibrado, onde todos participem e reconhecidamente capaz de honrar o projeto para qual Dilma foi eleita.

iG: O presidente Lula já disse a Dilma que ela precisa montar o governo com “a cara dela”. O governo vai mudar em que sentido?

JC: Dilma não dá nenhum indicador de como será a sua futura composição de sua equipe e nem acho que ela deva fazer isto. Portanto, não posso adiantar nada.

iG: Não houve conversa sobre nenhum tipo de cargo, nem entre os próprios coordenadores?

JC: Garanto que não. Em nenhum momento, desde a campanha até agora, Dilma abriu o diálogo ou indicou qualquer postura dela sobre composição do governo.

iG: Na opinião do senhor, Palocci é o melhor nome para a Casa Civil?

JC: Veja, quem precisa definir isto é Dilma Rousseff. Qualquer opinião seria profundamente deselegante. Acho que Palocci é um dos quadros mais preparados deste País. Agora se deve ir para o governo e qual posto, isto quem define é Dilma.

iG: O senhor abriu mão do mandato na reeleição deste ano para a Câmara dos Deputados. No começo do ano, foi indicado para compor a coordenação da campanha de Dilma e agora é cotado para assumir o Ministério da Justiça. É a vontade do senhor?

JC: A minha decisão de não participar da eleição é pessoal e foi anterior ao convite para compor a coordenação da campanha. A minha ideia, findo o meu mandato, é reassumir minha condição de advogado e a secretaria-geral do PT.

iG: Mas o senhor está preparado para o Ministério da Justiça?

JC: Quem precisa achar alguém preparado para o ministério é quem vai fazer a nomeação do cargo. Não faço nenhuma avaliação sobre isso.

iG: E se o senhor for convidado, aceita?

JC: Na minha vida, nunca trabalhei com hipóteses. É muito ruim falar ou definir as coisas que ainda não se materializaram. Portanto, não tem nenhum convite.

iG: Mas dá azar?

JC: Não dá azar nem sorte. Sem convite, tudo não passa de mera especulação.

iG: Estão especulando demais?

JC: Acho natural que as pessoas especulem. Mas se há definições, estão guardadas dentro da própria Dilma Rousseff.

iG: No discurso de Dilma, a presidenta eleita elencou pontos para trabalhar no governo e estendeu a mão para oposição. Foram promessas de campanha ou podem ser cumpridas?

JC: São propostas factíveis. Não são promessas, são compromissos. No que se refere ao gesto em relação à oposição, superada a eleição, presidente precisa governar para todos. Há espaço para diálogo com todos os setores políticos.

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