Candidatura de Dilma ainda patina no Sul e entre ricos e mulheres

Pesquisa CNI/Ibope aponta que candidata petista cresce em regiões onde popularidade de Lula é alta, como Nordeste

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

À frente, pela primeira vez, em uma pesquisa de intenção de voto para presidente, a candidata do PT Dilma Rousseff tem a preferência dos eleitores em praticamente todas as macrorregiões do País, de acordo com o último levantamento do Ibope , feito a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgado na quarta-feira.

AE/CELSO JUNIOR
Lula e Dilma dão as mãos durante a convenção que lançou a ex-ministra como candidata à Presidência
A única exceção é o Sul, onde a petista ainda tem percentual menor de intenção de voto do que o principal adversário, José Serra (PSDB). Atualmente com 40% das preferências dos eleitores, Dilma soma apenas 34% justamente na região onde fez carreira política – mineira de nascimento, ela foi durante os anos 1990 secretária da Fazenda em Porto Alegre (RS) e também secretária estadual de Energia do Rio Grande do Sul. No Sul, Serra teria 42% dos votos – contra 35% na pesquisa feita em todo o Brasil.

A região onde Dilma é mais bem avaliada é o Nordeste, onde a maneira de o presidente Lula governar é aprovada por 90% da população. Se as eleições fossem hoje, a petista terminaria o primeiro turno com 47% dos votos no Nordeste, contra 30% do tucano, sempre segundo o CNI/Ibope. Na região, aliás, é alto o número de pessoas que se dizem dispostas a votar no candidato apoiado pelo presidente: 67% (contra 48% da média nacional).

Pela pesquisa é possível prever que a margem de crescimento da petista no Nordeste ainda é alto, já que a região é onde há menos pessoas que já sabem quem é a candidata apoiada pelo presidente (68%, contra 73% observados em todas as outras regiões).

No Nordeste, o percentual de pessoas que afirmam que “com certeza” votarão no candidato pró-Lula chega a 43% - já no Sul, o índice dos que repudiam o apoio do presidente é de 31%, o maior registrado em toda a pesquisa (entre os que ganham mais de dez salários, a rejeição é ainda maior: 41%). Ainda no Sul, o apoio do presidente é fator que não é levado em conta na hora do voto para 56% dos entrevistados – entre eleitores com mais de dez salários mínimos o apoio do presidente é indiferente para 47%.

Apesar de ter conseguido reduzir pela metade a  rejeição a seu nome em menos de sete meses, a ex-ministra da Casa Civil ainda enfrenta dificuldades em alguns setores da sociedade, sem que seja levado em conta o fator regional. Entre mulheres, por exemplo, ela é a candidata favorita de 37% das eleitoras de todo o País, mesmo percentual alcançado por Serra. Entre os homens Dilma tem 43% das preferências, contra 33% do tucano.

AE
Serra durante entrevista em SP
Serra é, no entanto, o candidato favorito entre eleitores com renda salarial superior a dez salários mínimos. Nessa faixa, ele soma 43% das intenções de voto; já Dilma teria apenas 27% e Marina Silva, candidata do PV à Presidência, 20% (mais que o dobro de seu desempenho geral, de 8%). Serra venceria com folga um eventual segundo turno contra a petista, por 57% a 31%, entre eleitores que ganham mais de dez salários mínimos, e por 46% a 36% entre quem ganha entre dois e cinco salários.

A situação se inverte conforme diminui a faixa de renda dos eleitores – atualmente maioria da população. No geral, o melhor desempenho de Dilma é entre eleitores que ganham entre um e dois salários mínimos (42%).

Já a candidatura de Marina Silva, terceira colocada na pesquisa, ganha força em algumas camadas. Entre eleitores de capitais, por exemplo, ela tira voto tanto de Serra como de Dilma e alcança 13% das preferências. O grau de conhecimento sobre sua candidatura atinge 16% entre pessoas com mais de dez salários mínimos.

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