Candidatos mudam estilo para passar credibilidade e confiança

Tons pastéis, cortes retos, visual bem cuidado. Presidenciáveis capricham para passar imagem de credibilidade ao eleitorado

Daniela Almeida e Alessandra Oggioni, iG São Paulo |

Roupa devidamente alinhada, sapatos em ordem, cores que favorecem o visual. Ao longo da campanha, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) cuidaram impecavelmente de sua imagem. O objetivo é o mesmo: passar a ideia de competência e credibilidade na disputa pelo posto de presidente da República. Para agradar a maioria dos 135,8 milhões de eleitores, que decidem neste domingo quem será o sucessor de Lula, os candidatos pensaram em cada detalhe de seu estilo.

Desde que deixou o cargo de ministra no governo Lula para iniciar a pré-campanha, Dilma investiu pesado na mudança do visual. Os cabelos ficaram mais curtos, nas mãos do badalado cabeleireiro Celso Kamura. As roupas tornaram-se mais sóbrias e os óculos foram definitivamente abandonados. As cores predominantes são os tons pastel. De vez em quando, Dilma usa também vermelho e um tom mais alaranjado, normalmente em terninhos e calças de corte reto.

Saias e vestidos, brincos ou acessórios chamativos não fazem mais parte do look usual da candidata. Ela também abandonou as blusas de babado. Segundo um integrante da campanha, "que não condiziam com uma mulher que não quer se passar por vovozinha".

Para Renata Vieira, consultora de moda, os tons e o corte reto das roupas transmitem seriedade. A maquiagem, em cores pastel, ilumina o rosto da candidata sem deixá-la com um aspecto carregado. “A assessoria de moda dela conseguiu não chamar atenção para a roupa e, sim, para o seu intelecto e sua capacidade. No conjunto, ela passa a imagem de que é uma pessoa de fibra, que vai batalhar.”

A única ressalva que Renata faz é sobre o cabelo da petista. Na avaliação da especialista, os fios deveriam ter mais movimento para não passar a mensagem de que a candidata é autoritária. “O cabelo muito engomado dá a sensação que ela é muito inflexível”, avalia. Renata lembra ainda até mesmo as sobrancelhas de Dilma foram desenhadas menos arqueadas para não passar uma aparência de brava.

Casual chic

Com o objetivo de conquistar os votos das classes de baixa renda, eleitorado mais próximo do PT, Serra desde o início da campanha eleitoral adotou um estilo mais despojado e informal, especialmente nos compromissos de rua e no corpo a corpo. Mas sem deixar de agradar o eleitorado das classes A e B. Terno e gravata? Apenas em situações mais formais, como sabatinas e debates na imprensa.

Em poucas variações, o visual do tucano foi praticamente o mesmo em toda a campanha: calça bege, camisa social e, dependendo do tempo, uma malha em gola "V". Cores pastéis – especialmente o azul (cor do PSDB) – predominam no guarda-roupa de Serra. Apenas na reta final da campanha o candidato lançou mão de camisas e calças sociais.

Renata encara a virada no visual de Serra como uma maneira de se aproximar dos eleitores. “No início ele estava tentando falar com o povão, por isso não queria criar uma barreira, mas acho que viu que isso não funcionava.”

A ideia, segundo a personal stylist , seria ganhar a confiança do eleitorado. “Se uma pessoa aparece toda social, vendendo um seguro, vai passar muito mais credibilidade do que se ele for com uma calça mais simples e um sapatênis. Com certeza, você dá mais crédito.

Na opinião da jornalista de moda Lilian Pacce, os dois candidatos moldaram seu estilo ao longo da campanha. Pequenas mudanças no visual do tucano, como o jeito de usar a camisa, a escolha de cores que o favorecem mais o tom de pele do candidato foram imprescindíveis. "Ele abandonou um jeito de usar a camisa que parecia falso casual, passou a dobrar a manga direito e abandonou o marrom que não favorece em nada”, diz a especialista.

Já no caso de Dilma, as intervenções estéticas, como as plásticas, fizeram com que a candidata ficasse muito diferente do que ela é, segundo Lilian. Para ela, os pontos positivos são a maquiagem bem cuidada e os ternos no estilo Chanel, "uma escolha pouco criativa, mas certeira".

Para ela, no quesito roupa quem ganhu a disputa final no debate da Globo foi Serra. Ela elogia o terno de corte impecável usado pelo candidato e critica a roupa de Dilma. "Escondeu o que deveria valorizar e ressaltou o que deveria ser minimizado".

O estilista paulista Arnaldo Ventura acha que tanto Dilma quanto Serra erram a mão no visual. “Acho tanto um quanto o outro cafonas. Embora, sim, a candidata Dilma tenha se mostrado mais elegante nos últimos meses, enquanto José Serra priorizou looks envelhecidos, esmaecidos, até".


Estilo Lula

Bom exemoplo de mudança no estilo é Luiz Inácio Lula da Silva. Só depois de adotar ternos bem cortados, aparar a barba e amenizar o discurso que o atual presidente levou as eleições de 2002. Aquela era a quarta vez em que concorria à Presidência da República. Hoje, o próprio presidente brinca em seus discursos com o fato de que antes disso não conseguia a adesão dos eleitores. "Naquela época, diziam que o Lula era barbudo e se esqueciam de que Jesus também tinha sido barbudo”, disse em um comício no Sergipe, em 29 de setembro.

“Até o Lula teve que ceder. Uma pessoa bem vestida mostra que é capaz de se cuidar e de ser um bom administrador. Afinal, quem não cuida de si próprio não cuida de mais nada”, explica Renata.

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