Skaf promete divulgar, ainda hoje, números para comprovar a alta rentabilidade das concessionárias de rodovias no Estado de SP

Menos de 12 horas após o término do debate entre os candidatos ao governo de São Paulo, a polêmica em torno dos números apresentados pelos participantes para atacar (ou defender) os quase 16 anos de administração tucana no Estado entrou, nesta sexta-feira, em uma espécie de prorrogação ao tempo regulamentar de réplicas e tréplicas na TV Bandeirantes.

Pela manhã, a equipe econômica de Paulo Skaf (PSB), por exemplo, listou uma série de dados obtidos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre a rentabilidade patrimonial das concessões em São Paulo. A ideia é municiar o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que foi contestado pelo tucano Geraldo Alckmin por apresentar números relativos aos lucros das concessionárias de rodovias no Estado.

Segundo Skaf, as empresas que administram trechos das estradas paulistas lucram mais com pedágios do que os bancos com juros. O ex-governador rebateu a informações ao dizer que a taxa de retorno das últimas concessões eram as mais baixas do País – em torno de 8%.

Tucanos presentes ao debate queixavam-se, à saída dos estúdios da Band, dos números apresentados pelos rivais sobre a gestão do PSDB no Estado, indicando que os concorrentes faziam distorções. O governador Alberto Goldman, por exemplo, afirmou que Aloizio Mercadante (PT) usava “números furados” - o petista usou o debate para citar dados sobre salário de professores e policiais da rede pública paulista, impostos e investimentos. Já José Serra , presidenciável tucano, deixou os estúdios sem falar com a imprensa, no meio do debate, e se queixando também de uma suposta distorção de informações.

“Então eles que apresentem o número certo”, ironizou Edinho Silva, presidente do PT em São Paulo, segundo quem os dados usados no debate foram obtido em órgãos oficiais.

Um dos momentos de maior irritação entre os tucanos foi quando Celso Russomano (PP), “acusado” pelos tucanos de fazer o jogo dos petistas, afirmou que o salário base de um médico da rede pública paulista era de R$ 400 – sendo contestado em seguida pelo ex-governador, que afirmou que o valor era de R$ 600, e apenas para plantões de 12 horas.

Após o debate, Russomano percorria os corredores da emissora com papeis que dizia serem contracheques de médicos da rede pública que comprovariam os dados apresentados por ele durante o debate.

Mais números

Nas próximas horas, Skaf pretende voltar ao assunto, por meio do twitter e discursos, com números fornecidos pela coordenação de sua campanha. Dirá que, em 2009, a taxa de retorno de 14 concessionárias de rodovias foi de 37,2%, segundo a própria CVM, enquanto bancos registraram 13,9%. A taxa de retorno é o ganho líquido obtido por uma empresa segundo cada real investido. Skaf deve citar ainda que os outros setores, como o alimentício (faturamento de 3,7% em 2009), comércio varejista (9,4%) e químico (8,8%) acumularam faturamento bem inferiores em relação às concessionárias. O candidato lembrará que somente a Autoban, que administra a rodovia Bandeirantes, teve retorno de 70,7% dos investimentos feitos em 2009.

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